Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sábado, 9 de agosto de 2014

Zica

Há muitos anos atrás, conversava com minha amiga Chimeny e ela apontou uma grande diferença de ponto de vista, eu diria mesmo até de ponto de partida. Ela me dizia que não acreditava nas pessoas, mas sempre acreditava em tempos melhores. Não sei se ela ainda pensa assim, mas na época, me fez perceber que eu partia do contrário: acreditar nas pessoas e ser bem pessimista quanto à melhora das circunstâncias. Acho que mudei. Escutar histórias de traição todos os dias no meu trabalho me fez mais cética em relação às pessoas. E meu movimento de realinhar me fez perceber que tempos melhores podem ser construídos pois dependem da minha inclinação.
Julho foi um mês de zica. Daquelas poderosas. Não sou contra drogas, um remedinho é sempre alívio imediato. Mas não sou exatamente acostumada com eles. Eis que passei uns 40 dias tomando remédios diversos. Tudo doendo, tudo inflamado, infeccionado. Tempos ruins. Quando me desorganizo por dentro, minha casa fica em caos e meu corpo para de funcionar. Para além dos meus tombos afetivos desses últimos meses, o tombo foi físico. Não depilei, não fiz as unhas, não comi direito, dormi torta. Naveguei por mar de tormenta em barco furado. E chorei um bocado.
Como sempre acontece, esqueci de reservar momentos para a solidão observadora e reflexiva. E me senti perdida. Curiosamente, me vi 7 dias sem fumar. Por acaso. Sem perceber. E isso não foi bom sinal; saudável, sim. Mas péssimo sinal de desequilíbrio pra mim. Fora do eixo, meu vício não é o cigarro. São as emoções intensas que me deixam como solo arrasado. Infértil, improdutivo, desolado. Nem pra fumar há espaço.
Sim, foram as pessoas. As pessoas que me trouxeram mais do que eu podia carregar e eu não neguei a carga. Com seus medos e inseguranças. Suas imperfeições todas. Chegaram todas ao mesmo tempo exigindo isso e aquilo outro e eu, despudorada, abracei as almas torturadas do inferno. Parece que voltei aos tempos em que acreditava em todos e desacreditava da vida.
É hora de realinhar. Uma pausa para o cigarro sem anti (inflamatórios, bióticos e que tais), uma pausa para organizar as toalhas e lençóis da casa, uma pausa pra construir tempos melhores. Cumprir pequenos compromissos com prazer: entregar com carinho fotos editadas prometidas, selecionar sapatos pra calçar pés gelados, ver aquelas aulas de filosofia guardadas nos downloads, repor os mantimentos na despensa.
E, mais uma vez, confiar. Confiar que zica dá e passa.

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