Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

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Tenho apanhado muitos dos meus amigos. Os tapas são curiosos… No espaço curto de uma semana, eu soube que não sou fotogênica, nem bonita, que eu não tenho uma postura feminina, que eu me visto e calço mal e que eu sou controladora e professoral.
Não posso mentir quando encho a folha em branco senão as palavras ficam de mal comigo e eu morro de medo de ficar sem inspiração; já passei longos períodos sem escrever, é como se eu estivesse sufocando devagar. Portanto, confesso que estou um pouco mexida. A única coisa legal que escutei foi: “… mas você é sexy…” como se isso fosse algum prêmio de consolação.
E, no fim, eu nem sei se isso é tão bom assim considerando o que se desdobra dessa colocação. Assunto pra outros escritos que venho remoendo…
De qualquer maneira, aqui estou eu. Inadequada, fora de época, meio masculina; porém sexy. Mas o que me põe a pensar não é o conteúdo da fala das pessoas. Esse eu venho desdobrando há muitos anos na terapia e não tem nada de traumático. Traumáticos foram talvez (e bem talvez, meeesmo!) os eventos que fizeram com que eu só depilasse minhas pernas aos 19 anos, gostasse de coturnos, tivesse sempre uma lição na ponta da língua pra enfiar goela abaixo de alguém, não soubesse como usar uma estampa e fotografasse (um pouco, só um pouco) melhor atrás da lente do que na frente dela. Ter essas características não é bom, nem ruim. Faz parte da minha história construída, pra ser bem psicóloga logo às 7 da manhã.
Não. O que tenho pensado é: que coisa em mim põe em marcha o sentimento ou inclinação de resolução de problemas nos meus amigos. Deve ter algum movimento que eu faço, alguma coisa em mim, que faz com que as pessoas próximas e queridas queiram me consertar. Eu desconfio que eu pareço frágil.
E, se sou frágil, preciso ser protegida, guiada, encaminhada. Vestida, posicionada, aconselhada. Me sinto frágil. E quando me sinto assim, fico exposta. Me sinto exposta. Como se andasse sem roupa alguma em praça pública, onde todos podem observar, apontar, sugerir. E usar também da minha exposição pra não se sentir tão exposto como frequentemente a gente se sente nas relações.
Talvez eu esteja abrindo a porta do meu reino mais do que devia. Talvez eu não esteja protegendo os meus tesouros com cuidado. Talvez eu esteja me expondo demais onde não precisaria e sem repertório pra me expor na situação exata.
E, talvez, as pessoas ainda usem de uma operação infantil, o “mãe, mas ele também fez!”. Quando se aponta no outro coisa qualquer, parece um esforço grande pra tirar o dedo da própria dificuldade. Não duvido que as intenções dos meus amigos são as melhores. Não duvido que me queiram muito bem. Não duvido mesmo que estejam cobertos de razão.

Mas continuo muito intrigada. Será que ando convidando gente demais pra minha intimidade e dando pouco limite na atuação desse povo? E mais: será que não acaba nunca essa minha adolescência onde eu não consigo convencer ninguém que sou uma mulher de 36 anos? Nem a mim?
Eu, não fotogênica, nem bonita, mal vestida e mal calçada, controladora e professoral... :)

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