daí, eu chego arrasada no cansaço de ter ido trabalhar de ressaquinha e me prometo: cama, rápido. mas não podia ir pra casa carregando toda aquela galera que sai do consultório: "obrigada, doutora, tô me sentindo mais leve". aí, rola uma água de coco na praia só porque o mar estava bonito e tava frio.
decido não comer porque as refeições foram meio descoordenadas o dia inteiro e o melhor era acertar o passo na sexta de manhã... quando estava quase mudando de ideia e decidindo ir pra rua, recebo um telefonema equivocado que fez com eu acertasse na minha primeira decisão: não vá.
meio triste e numa vibe estranha, eu fico andando a esmo pelo facebook, como quem desfila em balada chata, desejando que o fuso fosse outro, que as dores do corpo sumissem, que o aspirador de pó criasse vida, que aquela conversa tivesse acontecido na sobriedade, que a semana já tivesse levado agosto embora.
aí, eu encontro um amigo, paro pra dizer alô e acabo me demorando um pouco. outras pessoas passam por mim e vou me demorando um pouco mais. dormir é necessário, mas a balada virtual tava ficando animadinha. aí, já me deu uma fome. me decidi por uma sopa. de pacote, claro, porque eu adoro artificialidades e não tava nem perto de descascar uma mandioquinha às 10 da noite. aí...
bom, o riesling olhou pra mim, eu correspondi o olhar. só 3 taças, pensei. a conversa já tava começando a tratar das questões do universo quando vi metade da garrafa já me pedindo em casamento.
casei com ela, dormi às 2 depois de esgotá-la. e ainda bem que não tinha surfe hoje de manhã porque até agora não me achei dentro da minha própria casa...
Fevereiro
Há 17 anos


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