Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

sapos

tenho visto muita coisa esses dias. tinha umas 5 coisas pra dizer, mas não lembro exatamente de nenhuma. eu demoro um pouco pra fazer links e colocar na folha em branco. como ela sempre aceita o que se põe nela, penso que é bom ser cautelosa e fazer isso com certo estilo.
o mundo é cinza. mas tem umas coisas que ainda pertecem à categoria do certo ou errado. e são essas que me provocam os maiores conflitos quando percebo que, por momentos, elas se turvam e eu não enxergo a tal linha. nada como um certo tempo, uma conversa, uma observação pra clarear. mas enquanto esse momento não vem... sofro. pela impotência talvez. mas eu vou falar disso mais pra frente, quando o link estiver pronto.
de qualquer forma, é tempo de questionar minha profissão, minha carreira. eu tô com medo de sair do brasil pra passear 20 dias e não querer mais voltar. porque meus dias têm sido cheios de decepção. eu sou funcionária pública. de verdade. por convicção. pra além das discussões da direita e da esquerda, eu trabalho empregada pelo cidadão pagante de imposto na minha cidade e presto o melhor serviço que consegui construir ao longo desses anos. sou psicóloga, de fazer saúde pública, questionadora (sim!) do sus. aprendi gestão pública fazendo e errando e consertando. meu nome quase se arrasta numa lama que eu mal adivinhava. mas, não sem dor, me retirei em tempo de preservá-lo. porque só tenho ele mesmo.
há quase uma década, me deparo com os mesmos obstáculos. tenho sido brava. desisto por 5 minutos pra retomar a batalha por mais 5 dias ou 5 meses. não recebi dinheiro que não mereci. não compactuei com jeitinhos. e, se não sou uma psicóloga boa no que deveria fazer, sou uma ótima profissional de saúde pública. fui honesta, verdadeira, bem intencionada. fiz merda e fiz gols inacreditáveis. que eu mesma não imaginava que faria. deixei alguma marca.
não são os pacientes que morrem que me fragilizam. aprendi desde o primeiro até o mais recente (desse fim de semana) que a vida é assim, as pessoas morrem e sofrem e morrem em vida. meu primeiro paciente morto, chorei escondida no banheiro. doeu. não chegamos em tempo, não fomos suficientes. não "salvei" aquela vida. os outros vêm de forma mais serena, mais centrada. e esse tem sido o aprendizado mais bonito da minha vida inteira.
os obstáculos são de outra ordem. de uma ordem que não sei mais o nome. não sei é ética, moral, de justiça. de segurança. de competência. às vezes, sinto que estamos nos arruinando aos poucos, em ruínas, não sabemos mais viver pelo justo, o belo e o bom. que deveria ser o suficiente pra trilhar o caminho.
eu tô cansada. não estou triste, estou aborrecida. e alguém me disse uma vez que eu aborrecida... é melhor ter cuidado. eu acho que é assim mesmo.
engoli 3 sapos hoje. não pretendo digeri-los. pretendo devolvê-los. e sair pra ser feliz.

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