Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sábado, 5 de outubro de 2013

Telúrica

Eu ando muito emotiva e sensível esses dias... Pra além da TPM, que me deixa assim, e das lágrimas que sempre me foram fáceis pra tristeza e alegria e tudo o mais, eu tenho chorado muito de emoção. Sempre fui chorona e saudosista, minha inclinação mais melancólica deve ter a ver com essa saudade de tempos felizes (não que esses tempos não o sejam...). 
Então, na quinta, fui ver a Baby (que pra mim é Consuelo e não do Brasil) no Sesc. Ela está com o filho Pedro e uma banda de dar gosto comemorando 60 anos de idade. Na real, segundo ela mesma contou divertidíssima, esse show foi dado pelo filho de presente pelos 60 anos que ela "nem sabia que tinha". O show tá por aí, a Baby já fez 61 anos e está excelente. Os cabelos roxos combinando com uma saia de babados de paetê rosa e não precisa dizer mais nada.
A voz dela tá sensacional e o filho arranjou e dirigiu o show como um carinho e um presente pra ela. Eu encostei na grade na frente do palco e ali relembrei a música da Baby. E tal como ela foi lembrada pelo filho, eu lembrei da minha mãe, que vai negar, mas faz 60 anos daqui a pouco.
Lá pelo início dos anos 1980, minha mãe ligava o microfone do tocadiscos e me deixava falar e cantar e falar e falar e isso tudo ia parar numa fita cassete. Hoje, cantar só no chuveiro, morro de vergonha que descubram que amo cantar mas devo ser péssima (nunca me ouvi). Falar é necessidade básica pra mim. Mas o que importa é minha lembrança do rádio tocando e a interrupção do meu blá blá blá pra gravar algum sucesso. E dava muita Baby: Menino do Rio, Sem pecado e sem juízo, Telúrica, Todo dia era dia de índio. E essas fitas ainda existem emboloradas.
Quando a Baby cantou cada uma dessas músicas com a mesma pegada de quando tinha 30 anos, eu fui direto pra sala do apartamento da minha mãe, com o rádio ligado e eu "gravando" minha arte. E eu chorei de saudade de tudo. E ninguém entendia porque uma moça chorava no alambrado do show da Baby, o pululante show da Baby. 
Eu não tava triste, não. Eu tava pensando que a trajetória foi bonita, que tudo pode se reinventar, que mães fazem 60 anos, e filhas fazem 36. 
Eu vou lembrar de escrito isso em fevereiro que vem e vou retomar essas palavras justo quando minha mãe fizer 60 anos. E, se for possível, resgatar uma fita cassete qualquer onde eu estiver cantando "meu lanchinho, meu lanchinho...", minha mãe me entrevistando e a Baby cortar a conversa de repente "para ser telúrica, para ser telúrica, para ser telúrica..."

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