Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

NÃO

Aí, eu tô em casa na folga do funcionário público, olho pela janela de um dia de sol e vejo uma nuvem negra em cima do Embaré, provavelmente alcançando o Macuco. Depois de assistir a duas aulas do meu curso de Introdução à Filosofia da Universidade de Edimburgo (Coursera), a nuvem me deu o que pensar. 
Eu dormi pouco, o tempo que passei acordada passei também me descabelando. Meus hormônios ficam meio loucos de vez em quando, e as cenas da vida completam o quadro de caos. Sim, hoje eu chorei um pouco, mas que mal tem, né? Acho que a nuvem tem a ver com o meu humor porque ela está paradinha na minha janela desde que sentei no pc.
As aulas dos doutores questionaram um monte de coisas como a filosofia deliciosamente faz, mas enquanto eu ia ouvindo só conseguia pensar em dilemas do coração, dos namoros e não namoros. Das escolhas e das conveniências. Problemas que já me encheram o saco na verdade. Ocupar a mente com os problemas epistemológicos é mais satisfatório do que com os problemas do coração, isso é fato. Mas pelo menos umas duas vezes por semana, eu me vejo como uma adolescente fazendo aquelas brincadeiras colegiais tipo bem me quer, mal me quer; e não posso deixar de pensar que isso é uma certa perda de tempo, tempo que eu poderia estar empregando em seiláoque que me fizesse mais feliz.
O ponto talvez seja que eu, ao contrário de muitas pessoas, acredito que a música estava certa e "é imossível ser feliz sozinho" mas cheguei num estágio do caminho em que já não consigo mais pagar qualquer preço pra ter alguém. Quando eu pagava qualquer coisa, tava sempre passando um filme diferente na minha vida e o ritmo era frenético. Mas os tombos eram grandes e machucavam bastante. Aí, fiz uns aniversários, colecionei umas cicatrizes, descobri algumas coisas sobre mim e a tese de que ignorância é felicidade se confirmou muitas vezes quando hoje eu sei exatamente o que preciso recusar pra não sofrer que nem uma louca a mesma dor over and over. Mas saber isso não me faz feliz por assim dizer, me traz uma espécie de melancolia serena onde tenho muita paz, mas sofro a tentação de me entregar a histórias improváveis, amores de mentira, paixões inventadas, de transformar fotos perfeitas em momentos poéticos.
Será que me curso de filosofia vai me explicar qual o meu problema com o NÃO?

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