Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 12 de maio de 2013

Somos mulheres


fiz 35 anos, meu irmão fez 29 e minha mãe, 59. num mundo onde estamos tão adultos, poderia pensar que eu deveria estar ganhando um presente de dia das mães. a vida tem uns caminhos que eu ainda tô tentando mapear, ansiosa que sou. eles me trouxeram pra um cotidiano de cuidar de pessoas e, mais recentemente, cuidar de um gatinho que depende muito de mim. algumas pessoas dizem que dá pra ser mãe de bichinhos, principalmente se são adotados, caso do meu freudinho que olhou pra mim com 40 dias e eu soube que ele era meu e ele soube que eu era dele. mas eu não sou mãe de gente. sempre me pareceu uma coisa meio esquisita essa história de que toda mulher quer ser mãe. eu nunca quis, já quis, depois não quis mais. e não descarto essa possibilidade. 
enquanto isso, sou filha e sou mãe de bichinho. aprendo um pouco cada dia sendo coisa e outra. mas creio que tendo mãe (que foi pai também a maior parte do caminho) aprendi a ver all shades of gray (antes de os tais tons de cinza serem soft porn). aprendi que os amores não são incondicionais mas podem ser ilimitados. aprendi que mulheres são contraditórias cheias de uma força que mal se adivinha. aprendi que crescer, amadurecer, se transformar dói muito. aprendi que as pessoas se afastam e se atraem de acordo com os movimentos do acaso e que as coisas não são eternas. aprendi que mães e filhas se odeiam e se amam. aprendi que existe algo tão íntimo e secreto na relação que não pode ser dito pois talvez as palavras sejam insuficientes. aprendi que erramos tanto e guardamos cada acerto com carinho e generosidade. aprendi a fazer pazes com aquilo que não é da minha alçada interferir. aprendi que o melhor possível pode não ser suficiente mas é aquilo que nos faz vivas.
dia desses, estava vendo uma série e duas mulheres conversavam. uma mais velha que tinha tido uma filha que não pôde criar e deu pra adoção e outra mais nova que acabara de adotar um bebê pois não podia ter filhos biológicos. a mais nova disse: não sei como você encontrou forças pra lidar com tudo isso. a mais velha, sábia: querida, nós somos mulheres, a força nos encontra.
que minha mãe saiba que me ensinou a me deixar ser encontrada por essa força.

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