enquanto isso, sou filha e sou mãe de bichinho. aprendo um pouco cada dia sendo coisa e outra. mas creio que tendo mãe (que foi pai também a maior parte do caminho) aprendi a ver all shades of gray (antes de os tais tons de cinza serem soft porn). aprendi que os amores não são incondicionais mas podem ser ilimitados. aprendi que mulheres são contraditórias cheias de uma força que mal se adivinha. aprendi que crescer, amadurecer, se transformar dói muito. aprendi que as pessoas se afastam e se atraem de acordo com os movimentos do acaso e que as coisas não são eternas. aprendi que mães e filhas se odeiam e se amam. aprendi que existe algo tão íntimo e secreto na relação que não pode ser dito pois talvez as palavras sejam insuficientes. aprendi que erramos tanto e guardamos cada acerto com carinho e generosidade. aprendi a fazer pazes com aquilo que não é da minha alçada interferir. aprendi que o melhor possível pode não ser suficiente mas é aquilo que nos faz vivas.
dia desses, estava vendo uma série e duas mulheres conversavam. uma mais velha que tinha tido uma filha que não pôde criar e deu pra adoção e outra mais nova que acabara de adotar um bebê pois não podia ter filhos biológicos. a mais nova disse: não sei como você encontrou forças pra lidar com tudo isso. a mais velha, sábia: querida, nós somos mulheres, a força nos encontra.
que minha mãe saiba que me ensinou a me deixar ser encontrada por essa força.



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