Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sábado, 4 de maio de 2013

contrato

tava pensando em terminar minha noite escrevendo coisas. mas deveria também ter ido ao cinema, sair pra cervejinha, arrumar a prateleira de blusas, mexer numas fotos pra publicar. eu tinha planejado muitas coisas pra esse sábado e, embora não tenha concretizado o cronograma, o dia foi ok. just ok.
ando numa vibe turbulenta pois meu coração não sabe se despeja o inquilino dos últimos 18 meses e se põe no mercado ou se fica fechado pra reforma. o curioso é que o inquilino já fez as malas, empacotou os utensílios e móveis e já se retirou faz uns 4 meses. talvez eu já devesse estar pensando em substituir as lâmpadas, pintar as paredes, trocar as fechaduras. mas é isso. eu penso, penso, e não começo o processo de desabitar. tenho sempre uma pendência com o inquilino e termino por contatá-lo já em sua nova casa, em meio aos novos móveis e os novos interesses. e esses contatos são doídos e bem pouco produtivos já que nada mais há a esclarecer ou ponderar. quais seriam então as pendências, sua louca contraditória? bom... eu teria que escrever umas 20 páginas pra explicar com detalhes, mas vou optar por ser mais generalista nesse ponto. eu quero renovar o contrato. e fico muito tempo rearranjando cláusulas padrão pra ver se elas se tornam atrativas a ponto de influenciar o inquilino que partiu a pensar que meu coração ainda é o imóvel de melhor custo benefício. e assim, por conta de uma nova negociação lá se vai um sábado just ok.
mas essas reuniões já nem são mais sérias, estão tão caricatas pela repetição exaustiva das mesmas questões que desconfio que ainda aconteçam por puro hábito. em meio a essas insanidades, meu coração vai sendo cotado. eu tenho sido muito resistente a abrir pra visitação pois receio que o vai-e-vem dos interessados em alugar o espaço termine por apagar a passagem do inquilino anterior misturando suas marcas e pegadas, confundindo os cheiros, se apoderando aos poucos dos espaços e fazendo parecer outro lugar ainda que a mobília seja a mesma. a cama é caso aparte e merece um capítulo especial, mas adianto que sendo minha morada um espaço totalmente aberto minha cama fica exposta perigosa, convidativa mas restrita e os candidatos são tomados pela confusão ao se deparar com ela.
não vou sobreviver muito mais tempo sem firmar novo contrato com novo inquilino. as coisas precisam entrar nos eixos e as contas precisam ser acertadas. preciso iniciar a faxina, aprontar as coisas pra celebrar uma nova parceria. mas quem consegue assim de forma resoluta se desfazer sem dó das últimas vírgulas e pontos? eu não sou desse tipo. eu quero morrer ao ter que abandonar uma história. isso não vem fácil pra mim.
timidamente, tenho tentado abrir algum espaço, confiar que acordos interessantes podem estar na esquina seguinte. se meu gato concorda, e ele tem um modo bem veemente de mostrar sua aprovação ou desaprovação, por que não? sim, então. é a resposta óbvia. mas eu não consigo me mover pra além do talvez. talvez seja essa noite, talvez eu te ligue, talvez a gente se veja, talvez eu te queira, talvez eu invista, talvez eu te ame.
talvez dê tempo de eu encerrar um contrato e iniciar outro sem atropelar interesses. talvez eu esteja pronta pra admitir o fim e o recomeço. 
e esse talvez é mesmo a única coisa que parece fazer sentido no momento. isso e a pizza de 4 queijos que comi agora sem dó porque ressaca só se cura com salgado e um pouco de esperança.

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