Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sábado, 11 de maio de 2013

eu quero saber já!

é preciso ainda dizer, o assunto não está esgotado. já esclareço que esse texto é uma defesa dos espaços de entretenimento que EU frequento. pra que não fique dúvida a que servirá minha argumentação. porém, lembro que esta argumentação não invalida minhas outras a respeito do "apagão cultural" assim entre aspas porque nomes de impacto servem para o bem e para o mal. sou da turma que acha, sim, que santos está com problemas na esfera cultural e fico por aqui.
o que digo agora tem a ver com as minhas preferências que coincidem exatamente com os estabelecimentos que vêm fechando por falta de alvará para música ao vivo. eu gosto de bar. mesinha, cadeirinha, cerveja e cigarro na calçada. e voz, violão, percussão. pode ser também bateria, guitarra e baixo. muitos bares viram balada. a energia da balada é um pouco outra, a música fica um pontinho mais alta e as pessoas ficam de pé, mais "circulativas" (sim, as pessoas de todas as idades vão pra balada pra dar seu lancinho, pessoas querem encontrar pessoas, sexualmente, afetivamente, fraternamente).
eu gosto de alguns lugares em santos. esses lugares estão fechando. estou desgostosa. mas eu quero mesmo é contar que ontem eu estava ouvindo o som do joão com o nando e o delcinho no ponto zero e a guarda municipal apareceu na esquina, viatura e três colegas (sim, eu sou funcionária da mesma prefeitura, os guardas municipais são meus colegas).
pois bem, pondero. o bar em questão vinha abrigando o som dos meninos desde maio de 2012, se não estou enganada no calendário num horário que eu curto muito, das 20 às 23 e poucos, dá pra ir do trabalho direto, termina cedo pra outra coisa ou pra cama mesmo. em abril, os meninos foram impedidos pela fiscalização municipal de tocar pela falta de alvará. eu não posso dizer os detalhes do documento em falta ou de multas pois sou cliente do bar e não conheço o proprietário e nem tenho fonte segura. ontem, pelo que percebi, o documento estava em dia, ao que me parece autorizando a música ao vivo até às 23 horas.outra vez, destaco que minhas fontes não são seguras e não tenho detalhes.
às 22 e 20, a viatura da guarda municipal encostou na esquina e pude ler nos rosto dos amigos músicos a tensão que se acumulou. o público, cochichava e se inquietava. o relógio corria e o menino simpático que cobra a nossa conta saiu do caixa para saber o que acontecia. pelo que vi, o dono do bar foi acionado e quando eu estava indo embora ele conversava com os guardas enquanto o joão cantava chico buarque no que deve ter sido a saideira.
não vou falar de alvarás e permissões e barulho e direitos e deveres e área residencial e segurança e saída de emergência. não. o que move essas palavras é outro questionamento. eu já chego lá... eu trabalho há anos numa unidade de saúde da prefeitura de santos na frente das ruínas da hospedaria dos imigrantes na rua silva jardim cruzando com a rua dona luiza macuco. neste cruzamento, na porta do meu local de trabalho, tem uma boca de crack pesada e nesta quinta-feira houve inclusive um incêndio que teve que ser atendido pelos bombeiros provavelmente por conta de cachimbo ou pedras acesas jogadas no entulho que está depositado em toda a área. eu sempre digo que alguém precisa ir nesse tipo de lugar e eu vou. eu já fui ameaçada por fugitivo da polícia, vi colegas serem mal tratados por craqueiros, já roubaram o prédio umas 4 ou 5 vezes, já estive em delegacia registrando BO em uma dessas ocasiões. já lutei muito junto com os colegas pra ter um guarda municipal na minha unidade. não temos. já ouvi muitas vezes de meus superiores que os guardas municipais devem proteger ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE o patrimônio e não cabe a eles interferir em nenhuma outra situação tal como perturbação da ordem ou agressão. eu saio do meu plantão às 19 horas, desejo boa noite a todos os ocupantes da calçada e da boca de crack no escuro, tendo apenas dois ou três colegas pra fazer esse caminho até o ponto de ônibus. eu já ouvi muitas vezes que o efetivo da guarda municipal não é suficiente para acompanhar todo o plantão de todas as unidades.
eu quero saber, e quero saber agora, por que eu corro risco todos os dias sem o apoio da guarda municipal, por que o dinheiro do munícipe de santos vai sendo roubado a cada vez que o prédio é invadido? eu quero saber agora como se explica essa contradição posta onde a guarda municipal não pode proteger a mim e ao meu local de trabalho e pode deslocar TRÊS colegas pra fechar o bar que me dá uma cerveja gelada no fim de uma semana perigosa e estafante e dá espaço pros meus amigos fazerem o som que me enche a alma. sim, eu estou falando de MIM. eu quero pelo menos poder gastar meu dinheiro conquistado servindo ao município e fazendo meu melhor no bar que eu quiser (desde que esteja regular) e ouvindo o que eu quiser (desde que esteja dentro da lei). e ontem, tudo estava ok. que fosse necessário fiscalizar, também ok. mas eu quero saber, e quero saber agora, quem permitiu e autorizou tal desvio de função da guarda municipal ou então quem é responsável pelas mentiras que contaram a mim e aos meus colegas durante 6 anos de perigos que tivemos que contornar sozinhos.
eu quero saber já!

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