eu não sou uma pessoa de bichos. eu prefiro gente.
principalmente por conta da linguagem, creio eu. adoro palavras. faladas ou
escritas ou cantadas. e bichinhos não usam palavras pra se expressar. isso
sempre me fez decidir por não ter um amigo assim. aí, depois de um processo
curioso, eu adotei o freud. foi uma decisão. inclusive de aprender um novo
jeito de gostar. confesso que os jeitos de gostar que eu conhecia até então já
não estavam tão satisfatórios. freud é gato, diferente do popular cachorro que
todo mundo tem ou já teve e eu morro de medo. em inglês, existem as expressões
ser uma cat person ou uma dog person. e, como muita coisa da vida americana,
uma dicotomia do comportamento animal onde o cachorro é meigo, fiel ao dono,
dependente; e o gato é distante, apegado ao espaço físico e coisas materiais e
independente de cuidados elaborados.
eu sou nova nisso, mas arrisco dizer que meu siamês é
esquisito como eu. genioso, só quer o ele quer na hora que ele quer. mas me
espera na porta todos os dias e me conta o que fez o dia todo. ele me acorda
com beijinhos e me consola quando eu choro ou me machuco, mas não exita em
demarcar seu espaço me afastando (e me arranhando) quando eu faço alguma coisa
"errada".
não verifico muito do que me disseram, que freud seria
distante de mim, que ficaria indiferente ao movimento da dona. eu não sei que
tipo de gato as pessoas tiveram na vida mas eu tenho um que dorme de conchinha
comigo porque percebe que, naquele dia, eu precisava de companhia e carinho.
tenho pensado muito nesse estereótipo da solteira com gato,
afinal, em 1 mês e meio, serão 35 anos nessa vida estranha e solteira e com
freud e um pouco cética em relação a "certas coisas". mas eu PRECISO
confessar que ando muito preenchida de afeto desde que freud chegou. talvez, o
estar solteira com 35 anos e um gato seja algo muito desconfortável para a
platéia mas os atores estão se divertindo muuuiiito.




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