Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 27 de janeiro de 2013

tragédia e outras considerações

queria muito estar de férias e ir pra santa maria ajudar no processo pós tragédia. sempre gostei de trabalhar com a questão da morte, não me importo com o cheiro nauseante de hospital, não tenho pudores em preterir os eufemismos que tantos usam pra dar uma notícia terrível. morte é morte. é perda. e só resta juntar os pedaços, o que sobrou.
o facebook vem mais em socorro da sociedade do que o orkut faria num caso desses e acho muito legal que a mobilização nacional tenha me dado a notícia desse incêndio logo pela manhã, por meio de moradores de santos, embora eu conheça muitas pessoas no sul.
agora, duas considerações: por que durante outras tragédias não foi pedida a assistência de profissionais de saúde voluntários, inclusive com transporte gratuito? já tivemos tragédias nesse país por força da natureza (enchentes, como as temos! e o limite é divulgar uma conta de banco para doações de água potável); e pela mão do homem (incêndio em favela e matança como efeito colateral da velada guerra civil imprimida pelo tráfico é coisa bem corriqueira), e nunca vi o pedido de psicólogos voluntários para serenar a alma, a mente e o coração de quem sofreu perda.
e outra: teria a mobilização a ver com a estirpe das vítimas? jovens, universitários, com certo poder aquisitivo...
eu não ligo de ser voluntária no incêndio da boate em santa maria, nem na matança de eldorado dos carajás, nem no incêndio da favela de vila socó, nem na enchente do vale do itajaí (em qualquer uma de suas tristes edições), nem mesmo na rebelião do carandiru (preso tem parente que sofre pela perda também...).
os Médicos Sem Fronteiras não tinham vaga pro meu perfil e lamento isso até hoje pois é preciso ter gente pra fazer de tudo, até lidar com a miséria humana. e engana-se muito quem pensa que ser voluntário significa fazer coisas de graça. ser voluntário significa estar disponível e disposto a, em condições extremas e estressantes, ser o ponto de apoio para quem perdeu o chão. e isso pode ser remunerado ou custeado como são agora os voluntários no caso de santa maria, transportados por empresas da região.
da próxima vez, deem conta de levar gente ao norte do país, ao sertão, à metrópole do sudeste. em todo lugar em que a tragédia se abate, existem indivíduos que precisam ser cuidados.
sou psicóloga, eu cuido.

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