daí, já são quase onze da noite de novo. não lavei roupas e não arrumei a cama. tenho uma úlcera imaginária, a úlcera "fique sabendo". outro dia, eu explico. bebo uma stella artois pra ver se tem ação antiinflamatória e eu me livro disso que me queima a boca do estômago. tenho pensado de vez em quando em você. cumprindo compromissos distraída. e você me aparece de vez em quando pra dizer que tua dor de barriga já passou e meus cuidados não são mais urgentes, tampouco necessários. revi o passado (que segundo meu amigo nelson não existe) e te encontrei em 2007 tão mais novo e inexperiente. e fiquei tentando desvendar essa mística do mundo que te trouxe de volta. não encontrei nada, é bem verdade. te vejo agora lá no fundo da sala, tão preocupado com o tempo, tão desconectado do resto, tão disperso nos enunciados dessa tua existência. você me provoca uns arrepios de dúvida e me coloca perguntas salteadas que não formam bem a prova que eu esperava responder. como na sexta série, espero aquela festa sem perceber que as festas todas acontecem agora na minha casa. sou dona das palavras e as ações ficam paralisadas porque de fato o vestido está curto e os cabelos embaraçados e a cara vermelha de vergonha.
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