passei o dia todo desde às 6 da manhã sentindo dor. meu sistema imunológico me abandonou e minhas articulações doem tanto quanto minha cabeça e minhas costas. minha garganta toda vermelha reclamava de engolir a saliva e meu pescoço doía do lado de fora. diante disso tudo, eu parei e entendi que meu corpo tá me avisando: não saia pra batalha. não se exponha no campo. ele quer me impedir de estar presente no cenário onde devo interpretar um papel difícil. e eu sei disso. mas eu não posso deixar essa cena. tenho motivos enormes pra estar lá. e tanto outros pra não estar.
e ter que atuar nessa peça me fez pensar nos meninos. e isso me deixou então cheia de raiva. raiva de ter que lidar com incoerências nos relacionamentos afetivos. no jeito como entendo as coisas, estamos todos praticando a máxima do filósofo amigo que diz "justo é o que me favorece".
mas isso precisa existir com "és responsável por aquilo que cativas". e meu raciocínio não deu conta até agora de fazer essas duas meninas de trança que se odeiam no parquinho brincarem juntas. não vou tentar escrever um texto inteligente e cáustico, espirituoso até, sobre os meninos e a incapacidade de ser o pequeno príncipe e a habilidade provavelmente essencial de ser o príncipe maquiavélico. não tô com talento pra isso porque a raiva me coloca nuvens no pensamento articulado.
só deixo aqui registrada a raiva que sinto. e com raiva, digo: não quero posar de recatada e nem fingir que não estou nem aí pra você (qualquer que seja a bola da vez). quero continuar aproveitando minhas oportunidades assim que elas se anunciam porque meu sexo é meu e faço quando quiser. e quero continuar sendo princesa, merecendo um príncipe que não saia correndo só porque eu disse que ele pode ficar (e eu quero que fique) mais um pouco.
e como disse um outro amigo: não finja, não... alguém vai comprar a ideia e ficar.


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