olha... mas é tanta coisa... me observa enquanto eu desfaço o coque devagar e o cheiro dos cabelos ainda ocupa a sala. vou até a geladeira e pego qualquer doce pra satisfazer a urgência da língua já que enquanto me observas nada é movimento no teu rosto. desabotoo a blusa que me cobre e olho meio de lado tentando apanhar um inspiro teu. é tanta coisa... nem diz nada que vou tirar as botas pra reparar nos pés marcados pelas sapatilhas. espera que eu já te falo o que quero, mas deixa eu acender um cigarro antes. vê se consegue alcançar um cinzeiro pra que eu possa passear da sala pro quarto. vou me deter 7 segundos no batente da porta pra perceber se vens atrás de mim. é tanta coisa nesse quarto. vê como minha cintura quer se livrar do que segura e a calça vai escorregando pela perna cansada do tablado. experimenta um canto da cama. afasta pra lá essa confusão de roupas que não vão vestir ninguém. mas espera um pouco que eu vou espreguiçar. acorda meu braço meio inerte e insinua um convite pras minhas costas. no caminho do pescoço deixei uma vontade da tua mão. é tanta coisa mais. eu ia te negar mas pensando bem...
andréa kowalski - onze horas, quase outro dia
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