ai, eu tô exausta. eu fiquei sabedora demais das minhas próprias coisas e perdi a noção do que é acordar, respirar, mastigar um pão, abanar-se no ônibus, atender o telefone, derramar um copo d'água, querer ir embora de um lugar, desejar que uma noite não termine, aborrecer-me com uma fila, chorar ao ouvir uma música de saudade, suspirar para ativar a paciência, resmungar com uma fechadura que enguiça, tropeçar na rua, rir com dentes ao rever alguém. o processo é irreversível e está me esmagando. entre o querer e o ter que ser, me perdi. quero ir onde me machuco e tenho que ser muito mais composta do que qualquer mulher de clarice. e enquanto fico aqui escrevendo, a vida chove ali fora e acontece meio trôpega, meio distante, outro tanto cruel. e o papel em branco aceita qualquer coisa que se escreva nele como bem disse alguém. rabisco um monte de inverdades e inconstâncias. e espero que o dia traga coisas melhores que a madrugada insone. porque esperança ainda é de graça. expectativa é que tá cara no mercado...
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