De uns tempos pra cá, tenho tentado coisas. Uma que tentei
foi decifrar aquele monte de botões e números e símbolos da câmera fotográfica.
Sempre muito cool com um toque de glamour essa coisa de fotografar. Meu pai
fotografava por gosto e, claro, a comodidade de poder revelar quantos mil
contatos quisesse e escolher tantas ampliações quanto fosse necessário. Desde
que comecei a tomar um pouco do conhecimento dessa coisa toda, imagino como era
longo o processo analógico de construir técnicas e passá-las adiante. Você
tinha que experimentar muito, errar um monte, pra depois dizer pro outro que
vinha atrás: "fulano, faz assim!"
Nessa nossa era digital, tudo fica mais rápido. E foi assim
que eu aprendi a fazer algumas fotos de dia e outras de noite.
Agora, me falta o outro olho. O olho de fotógrafa. Acho que
não tenho ele em mim, não. Mas tudo pode acontecer... É necessária certa
antecipação pra construir uma foto muito boa, assim como com as palavras que
formam um poema. As palavras me vêm mais fáceis. Talvez seja esse o momento de
fechar os olhos, e a boca principalmente, e deixar chegar o outro olho.


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