Carnaval pra mim é um estresse. Ele vai se aproximando e eu vou sofrendo sem saber o que fazer com esses 5 dias em que já estou no inferno astral. Eu já trabalhei muito durante o carnaval com a trilha sonora que vai desde as marchinhas até os axés. Quando pequena, até no clube fui. Já fui na praça. Já estive de muletas.
Mas os melhores carnavais que tive foram carnavais onde quase nada lembrava o que todo mundo (ou quase) espera durante o ano. Tenho um lado coreográfico e batuqueiro que me faz prestar atenção às escolas de samba, curto uma bateria nota 10 e uma comissão de frente bem dançada. Mas lembro de 2 carnavais interessantes, um em Santos, outro em Floripa, onde teve churrasco no concreto, "acampamento" em sofá cama, macarrão com atum, noivado; não necessariamente nessa ordem. Esses foram os mais legais...
Depois de muito tempo trabalhando, o carnaval aconteceu pra mim como folga. O momento era ruim, tava mesmo no inferno astral, tentando digerir um amor que me escapou. Não sabia que fazer. Mas a resposta veio, como sempre, no acaso, nas coincidências.
Minha afilhada linda estava no Brasil, eu tinha milhas e Floripa foi meu destino.
Mil anos que eu não era turista em Canasvieiras. Kevin, eu, Lille, Monique. Todos comendo um big pastel e a Tere tirando a fotinha pro registro da tarde chuvosa no tradicional centrinho.
Praia com sol em Jurerê. A faixa de areia vem diminuindo a cada ano e eu percebi que tô ficando velha, pois já posso dizer: "há 35 anos atrás isso aqui não era assim"...
Almoço no Magia ainda sobrevive, embora em Jurerê existam hoje muitas opções bem legais de bistrôs (coisa muito chique pra gente que dirige Ferrari e tem mansão em Jurerê Internacional).
Brian, Monique, eu, Kevin, farfar, Tere, mãe e Breno.
Despedida no aeroporto. É breguinha, mas eu só vejo a Monique de 2 em 2 anos e aproveito todos os minutinhos.
Schultz e Kowalski.
E, pra fechar a festa da carne, reunião de mulheres pra falar de carne, osso, molhinho, aromas, vinho e cerveja, filme e livro, sobremesa e cigarrinhos, maridos e filhos, trabalho e família e depois... tudo de novo!
Aliny, Karla, Tharci e Yuri, Mor e Mar na Nave Mãe.
Fui muito mal pra Floripa. Voltei muito bem. Porque os aborrecimentos de lá já não me atingem como antes, já não me afastam de mim mesma. Porque um inferno astral se repete a cada ano e seria bobagem não vivê-lo assim como seria desgaste desnecessário transformá-lo em foco durante penosos 30 dias.


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