Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 10 de março de 2013

Felicidade

E de repente a gente aprende que as coisas emocionam quando são. Simplesmente são. Sem adjetivos. São. Gostar de alguém de graça é uma experiência reveladora mais sobre quem gosta do que sobre quem é gostado. Eu gosto muito de uma menina que me foi confiada por amizade. Chamam isso de batizar. Eu vou chamar de receber a honra de ser responsável por alguém na falta de quem planejou estar por perto o máximo possível.
Numa situação bem incomum de "batizado", eu não estava lá na igreja segurando a bebê. Tive uma representante pois a igreja e a ocasião aconteceram em outro continente e não dava jeito de eu estar lá de corpo presente. Mas eu me senti honrada com o convite da grande amiga e disse sim pra ser "Dinda".
Daí, eu me acostumei com uma situação ainda mais interessante: não poder, por muitos anos, me comunicar com minha afilhada. Não partilhamos da mesma língua materna e tivemos que esperar até que a segunda língua se tornasse totalmente disponível pra nós duas, o que acontece por agora que minha afilhada é uma pré adolescente de 12 anos.
Nós nos vemos de 2 em 2 anos mais ou menos e, a cada temporada, Monique fica mais linda e eu mais encantada com ela. Hoje, nós fazemos compras juntas e conversamos coisas de meninas. Podemos ficar sozinhas, sem intérpretes, e dividir coisas que pensamos e que sentimos.
E, depois de ir em 592 lojinhas em Canasvieiras, Monique comprou a cota a que tinha direito. Eis que mulheres sempre dão uma última olhadinha antes de ir embora e... acham exatamente aquilo que procuravam desde o início! Mas o que fazer quando a cota já se foi? Bom, segunda a Monique, "you can always ask" e foi o que ela fez. Mas a disciplina é rígida e, se você gastou, gastou.
Aí, eu pensei, meninas mais velhas têm (ou devem ter) a carteira mais recheada ou mesmo uma autonomia de saber quando podem passar do orçamento diante de um par de sapatos. E assim eu fiz.
"I'm gonna give it to you, it's a gift."
Ela não acreditou e perguntou 3 vezes, enquanto eu pagava o par de Havaianas, se aquilo era mesmo dela. Não pelo dinheiro, não pelo chinelo, mas pela surpresa. E ela disse: "this is the best gift anyone has ever given to me. I'm so happy!"
E então eu pensei: eu estou muito feliz! Senti uma felicidade que fazia muito tempo não sentia, embora eu sempre tenha presenteado pessoas que me são caras com coisas significativas tentando talvez encontrar essa sensação de preenchimento. It turns out que as minhas experiências foram mais ou menos bem sucedidas em vista dessa. E, imagino, isso se deva ao fato de a expectativa ser grande demais sobre a reação que qualquer presente possa provocar. De um par de Havaianas, eu esperei muito pouco. Acho que não tanto pelos chinelos, mas mais porque expectativas estão sendo aos poucos defenestradas do meu repertório.
E o resultado me arrancou lágrimas que meu inglês não soube explicar. Eu me emocionei tanto pelo que causei. Fiquei tocada e, sim, cheia de ternura. Monique dormiu com as Havaianas do ladinho da nossa cama de acampamento no chão e me fez talvez mais feliz do que ela mesma.
Pode ser um bom termômetro de uma relação o número de eventos em que, com a mais simples das coisas, você cause e sinta de volta o efeito da felicidade. Aquela tão rasgada que arranca lágrima e riso ao mesmo tempo. Aquela que experimentamos tão pouco que quando acontece te paralisa no momento que você não vai esquecer. Never ever ever ever...

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