Eu fiz 35 anos. E passei o dia do meu aniversário pregando prateleiras. Se fosse uns 10 anos atrás, eu me recusaria fazer uma idade mais ou menos redonda sem comemorações combinadas e planejadas. Eu já me sentia mudar de uns anos pra cá no que se refere a comemorar o dia em que cheguei nessa vida. E não tinha a ver com a idade aumentando, ou ser mulher e ter a idade aumentando. Sei lá, era uma sensação de planejar e esperar demais de uma data, coisa que já não cabia muito bem nas experiências que eu vinha (e venho) tendo.
Por coincidência, ou obra do inferno astral, eu passei o começo de março sentindo no meu corpo uma dor que eu já conheço bem, e não é de hérnia. É dor de amor. Primeiro, eu senti os efeitos de uma virose, achei que podia ser dengue, e concluí que era um bicho qualquer que rondava o CRAIDS e me pegou porque eu não poderia passar um ano incólume aos milhares de bichinhos que contaminam meu ambiente de trabalho.
Depois...
Bom, depois fui pega na curva, com as calças na mão, totalmente desprevenida. Meu amigo Paulinho diz que o passado sempre volta. E quem voltou foi uma moça meio louca que não sabe terminar casamentos e fica doente quando perde um amor. Não come, não dorme, e sofre horrores. Dizem que é porque ela é pisciana ou mexicana como todo bom drama. Ela ficou aqui em casa 1 semana e quando foi embora, mais ou menos no dia do meu aniversário, levou com ela uns 3 quilos meus e deixou uma enorme necessidade de instalar prateleiras. E fazer depilação, copiar chaves, tomar providências. Pintar o cabelo. Com certeza, pintar o cabelo. Porque é impossível terminar um casamento sem mudar a cor dos cabelos.
O resultado de tudo isso: fiz 35 anos, deixei 3 quilos com a moça louca, fiquei doente. Fiquei solteira. E arrumei as minhas fotos nas tais prateleiras que sempre ficavam pra mais tarde.
E quando 14 de março terminou, eu recebi uma mensagem. E era madrugada. Essas são as mais perigosas. Mas também não há como escapar de passar a limpo algumas coisas antes que seja tarde demais.
E que cada um dê conta das suas próprias prateleiras...


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