sábado, depois de um milhão de anos, eu toquei as teclinhas do piano de novo. coisa mais estranha do mundo, parecia que eu estava diante da cartilha do prezinho tentando ler "vovô viu a uva". e meus dedos, que nunca foram ágeis, não sabiam o que fazer de jeito nenhum. eu nunca tive o talento que queria ter. e, sem a disciplina necessária, nunca passei daquelas constrangedoras apresentações de fim de ano da escola de música. a música me encanta tanto quanto a dança e os poemas. e eu nunca escondo de ninguém o quanto eu queria ter um talento qualquer. meu talento é só com as palavras e eu cultivo com carinho minha relação com elas. mas a gente sempre quer um pouco daquilo que não tem ou do que não é nosso. ao longo do tempo, consegui fazer as pazes com algumas frustrações.
e assim foi a tarde e a noite de sábado, com os amigos, nando ensinando acordes tristes e pra fora, katita ensinando sudoku e eu aproveitando a cervejinha tranquila. porque às vezes só o que a gente precisa é de companhia. pra se sentir acolhido, pra descansar, pra aprender alguma coisa. companhia. mais nada.
Fevereiro
Há 17 anos


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