mas nada acontece e assim foi 2011. falta tempo pra tudo e sobra tempo mal aproveitado. e hoje que estou aqui sem poder me mexer muito, toda remendada, em pedacinhos por dentro e por fora, fico a pensar em tempos perdidos. me vem a canção do legião como um flash ("somos tão jovens...") e faço planos silenciosos entre fios de nylon e micropore. enquanto eu estava lá, com dois pares de mãos fazendo correr meu sangue e reconstruindo minha carne livre de marcas aleatórias, pensava em como aquilo tudo me deixa nervosa e ansiosa pelo fim. e prometia pra mim a cada ponto que posso ser diferente, que quero um ciclo de 12 meses mais satisfatório.
porque isso que vivo hoje, nesse momento, é confuso demais. tem me exigido demais. e, pra falar alguma verdade, sou muito mole. e preciso de muitos analgésicos pra suportar todo esse concreto, essa matrix. a última visão do centro cirúrgico, a mesinha forrada de pinças, tesouras e lâminas, bagunçadas, misturadas, sujas dos meus pedaços e minha sensação de náusea, cansaço e vontade de me abandonar ali mesmo. concreto demais...


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