Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

demais

toda semana eu tenho certeza de que preciso escrever um livro. mas 5 segundos depois, lembro a mim mesma que não tenho disciplina nenhuma. sou preguiçosa e não determinada. tudo pra mim é sem limites. tenho uma casca organizada e milimetricamente calculada em cronogramas e listas. mas meu monstro é sem limites. quer beber demais, fumar demais, dormir demais, gozar demais, brigar demais. demais, demais. como se fosse essa a única palavra possível para descrever quaisquer eventos ou escolhas. tudo se junta em referência na minha mente a mil por hora. e eu fico repetindo em voz alta que semana que vem é o momento. volto a escrever. ambiciosamente. 
mas nada acontece e assim foi 2011. falta tempo pra tudo e sobra tempo mal aproveitado. e hoje que estou aqui sem poder me mexer muito, toda remendada, em pedacinhos por dentro e por fora, fico a pensar em tempos perdidos. me vem a canção do legião como um flash ("somos tão jovens...") e faço planos silenciosos entre fios de nylon e micropore. enquanto eu estava lá, com dois pares de mãos fazendo correr meu sangue e reconstruindo minha carne livre de marcas aleatórias, pensava em como aquilo tudo me deixa nervosa e ansiosa pelo fim. e prometia pra mim a cada ponto que posso ser diferente, que quero um ciclo de 12 meses mais satisfatório.
porque isso que vivo hoje, nesse momento, é confuso demais. tem me exigido demais. e, pra falar alguma verdade, sou muito mole. e preciso de muitos analgésicos pra suportar todo esse concreto, essa matrix. a última visão do centro cirúrgico, a mesinha forrada de pinças, tesouras e lâminas, bagunçadas, misturadas, sujas dos meus pedaços e minha sensação de náusea, cansaço e vontade de me abandonar ali mesmo. concreto demais...

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