Tenho a caneta parada numa folha lilás e lembrei de Oscar Wilde dizendo que passou uma manhã tirando uma vírgula de um poema e, à tarde, a colocou de volta no lugar.
Achei um poema feito ano atrás e não tirei letra alguma. Me senti satisfeita com o resultado alcançado pelos meus parcos talentos. Porque são parcos só aparecem a cada estação, a cada paixão. Foram minguando com os dias de calor e depois os de frio. Devagar desbotando.
E quem circula hoje pelos cantos das minhas salas não entende o tanto que preciso ser ferida e exaurida para sentir vida e gravar no papel tanta dor e tanta delícia, nas palavras do poeta.
E me pergunto se fiz aniversários demais a ponto de já não me ferir nem ficar exausta. Ou os aniversários aconteceram para todos e só eu não completei novos anos.


Um comentário:
concordo contigo... será que com os anos vamos nos habituando com tantas dores, que estas nem servem mais para o estímulo das emoções e sentimentos? espero que não minha cara, senão acredito que comece o processo de desfalecimento da alma.
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