branco menta nos dentes
5 segundos de teorias no vaso
água corrente leva o veneno
chave na porta
duas voltas
o perverso do mundo do lado de fora
mas nunca em segurança quando perto de mim mesma
tiro um elástico e outro
toda a pele
em passos compassados pela casa
um gole qualquer
abandono os óculos
desperto amanhã na hora marcada
se nada mais me levar
antes de fechar os olhos
tenho vontade do gozo
os pequenos segredos sujos são deliciosos
o coração agora disparado
eu despudorada no lençol
alinho os cabelos
apago as luzes
e o mar reclama
eu digo que não posso ficar mais
abraço o corpo ausente
quero sumir aos poucos
esqueci os cremes
não lavei a louça
os cigarros abafados no cinzeiro
pés gelados
já exausta da noite
todos os minutos perdidos
e nada mais a declarar
andréa kowalski - meia-noite


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