Essa opção que fiz, um curso longo, uma mudança de rotina que teria que se sustentar por muitos meses, tem sido um desafio. Tenho preguiças, gosto de fazer minhas coisas devagar.
Também por outros motivos, sinto me pesar no peito a passagem do tempo. Me parece que não tenho energia pra novos projetos apesar de ter uma lista deles e alguns em andamento até.
O fato é que eu tô muito cansada de tudo. Das gentes, das dores, das guerras, das insensibilidades, das solidões.
É o estado deprimido dos meus soldados. Não tenho mais destacamento que possa ser enviado aos campos. Estão todos rotos, famintos. Quando olham da trincheira pro céu da madrugada, não vislumbram a vitória. Sentem algum alento, sim, porque i universo tem essa coisa inerente de falar com as gentes quando elas se voltam pra ele.
E uma boa conversa sempre aquece, seja pelo amor, seja pela dor.
E assim entrincheirados, rotos, famintos, aquecidos de tempos em tempos por ilusão qualquer, seguem estáticos.
Sem vitórias, "sem pódios de chegada ou beijos de namoradas", como ensinou Cazuza, que tinha exércitos inteiros entrincheirados enquanto viveu.
E preciso loucura, febre de festa, pra levantar essa gente descrente e sentida,
É preciso que se ponham de pé e dancem.
Dancem até assombrar o monstro inimigo e ele, então, não possa fazer outra coisa senão se retirar e deixar seguir a dança sem fim.
Em um dia ainda um pouco frio de agosto de 2017.


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