Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 10 de setembro de 2017

O quereres

Frequentemente as pessoas têm sonhos musicais, de consumo musical. Sonham em ver um show desse e daquele. Eu tenho alguns que não se realizarão porque os artistas já se foram e outros que já perdi uma oportunidade e não sei quando terei de novo.
Eu tinha um sonho desde sempre. Bethânia.
Bethânia tocava em casa no tão comentado por aqui Sharp. Bethânia com aquela voz. A Bethânia dos orixás da Bahia representa. Mas a Bethânia mulher me representa muito mais. Ela se rasga. Bethânia dizia assim pra mim… “É assim que se é mulher quando se ama”. Toda aquela tragédia, aquele drama; mas aquela força, aquele estar ali, não importa como nem por que, mas inteira e enorme.
Soube que ela viria tarde demais e não consegui a primeira fila; teria ocupado a cadeira na frente dela por qualquer preço. Mas fiquei longe e como acontece com as pessoas que medem 1 metro e meio, na minha frente tinha um moço de 2 metros. Eu gosto de VER música, mas nesse caso, podia ter fechado os olhos porque ela é toda voz.
Ouvir Bethânia me fez chorar tantas vezes, me fascinou o tempo todo, não foi um show. Foi uma experiência. Foram vários mini-infartos, “Negue” e “Explode coração” os principais, pois são os pontos altos dos meus banhos.
Mas um me pegou desavisada. Ela fez “O Quereres” e, assim como quando Caetano fez “Queixa”, tive um momento de elevação.
Música não é música (poema sobre notas, ou notas sobre poema) se não for a trilha da vida. Dizem que essa música está de novo em moda, por conta de uma novela. Eu não tenho TV, portanto a novela não me diz nada. Mas nem precisa. Porque O quereres entrou na trilha da vida real há pouco tempo, de um jeito bem Bethânia.
Depois de ter visto há dois dias Bethânia imprimir “O quereres” na minha carne, a versão de Caetano se provou clássica, mas não minha. O meu Quereres é de Bethânia. Não só porque ela declama (com notas de outros instrumentos ou não), mas porque ela marca a frustração e a libertação que é esse querer.
Bethânia declamou bastante, como pode ser tão linda, como mostra esse vídeo aí… Mas “O quereres” foi cantada, imagino que na versão da tal novela, e enquanto a provável maioria ali se lembrasse do personagem ornado pela trilha, eu só vivia as minhas cenas.
eu queria querer-te e amar o amor
construir-nos dulcíssima prisão
e encontrar a mais justa adequação
tudo métrica e rima e nunca dor
mas a vida é real e de viés
e vê só que cilada o amor me armou
eu te quero (e não queres) como sou
não te quero (e não queres) como és”
Frustrada, com raiva, depois magoada e sofrida. Por ter tanto desse amor de conflito que não pode nunca existir no concreto, porque não cabe em lugar nenhum. Fica se esparramando pela cama, transbordando nos abraços.
Impossível de ser contido, esperneia, se debate, se rebela; pra logo serenar na libertação do entendimento, da clarificação.
Era cilada.


EU TE QUERO (e não queres) COMO SOU

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