Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O inverno de Eduardo

O inverno da época de Eduardo foi o mais rigoroso.

Não houve uma só manta
meia ou gorro
que pudesse evitar a gangrena

As luvas inócuas cobriram minhas mãos
envergonhadas
cujas extremidades pendiam

Não sentidas
Não sensíveis
Não sensitivas

Ao longo do corpo
contraído e algo cianótico
não corria nada além
dos espasmos ritmados

O inverno da época de Eduardo foi também o mais solitário.

Porque era astuto não sair à rua
Tampouco era tempo de frequentar
e ser frequentada

E ali no silêncio da casa surgia
No fim da tarde
Um tumulto
Uma confusão

Tinha ganas de sair
Em roupas poucas
E enfrentar aquela nevasca

E dizer (sem palavra)
Que estava pronta

Mas aquele era o inverno da época de Eduardo
E a verdade é que eu não estava pronta pra nada

Não tinha provisões
lenha ou bom senso

Só o desejo de seguir pela floresta desfolhada
Pelo reino em compasso de espera

Até que se fizesse claro que chegava a primavera
E Eduardo partia

Deixando que os polens incomodassem os narizes curiosos
que se debruçavam sobre as tímidas janelas meio abertas
banhadas de um sol que, se pensava, jamais voltaria
daquela ida ao outro lado das terras

Olhei para trás
E lá seguia Eduardo

Mas para o inverno me era impossível voltar


ANDREA KOWALSKI
No aguardo de setembro de 2017

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