Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 12 de julho de 2015

ritual

dou grande importância a rituais. alguns deles, hoje em dia, não fazem mais tanto sentido pra mim, mas outros tantos são imprescindíveis. são porque fazem parte da vibe daquilo que me proponho. 
um dos rituais que eu mais gosto é da preparação pra aula de balé. não sou exigida em nada nessa classe de adultas. cabelo, roupa, tudo muito dentro da possibilidade de cada um.
mas tem uma parada de sintonizar o canal quando chego na escola e vejo as meninas menores com seus uniformes e gritaria. me leva de volta ao jardim de infância, onde terças e quintas eram dias de sair mais cedo pois precisava de tempo pra me virar com a meia e os cabelos e era uma "tia" só pra ajudar uma tropa barulhenta.
 o momento de sentir todo o cansaço do dia (as olheiras não mentem) se dissipar pra dar lugar a um outro esgotamento. o físico. deixa o corpo inoperante, mas a alma segue como se tivesse inspirado todo o ar do mundo.
 juntar todos os fragmentos, fio por fio...
 e compor então um novo olhar.
 procurar cada espaço, o lugar certo pra cada grampo.
 firme e confortável.
 contido
e adornado.

o coque que, ao ficar pronto, levanta o olhar, alonga minhas vértebras cansadas, posiciona minha cabeça com graça e aponta a direção da valsa.
são tantos anos, quantos coques terei feito? na minha cabeça, uns tantos. em cabeças alheias, mais alguns.
e cada um deles foi parte de uma entrega. mesmo mais velha, mais pesada, menos flexível, nunca talentosa, ainda estudiosa, se não for bailarina, como em nietzsche, terei perdido um dia...

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