Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 12 de julho de 2015

Minha vida frost free

Acabo de beber a última Skol que, quase por engano, eu tinha na minha geladeira. A minha geladeira nova, é bom que se diga. Meu blog não sabia que eu tinha uma geladeira nova. Meu blog pouco sabe de mim nesse primeiro semestre de 2015. 
Um dia, eu acordei e tinha água, muita água, nessa casa. Eu pensei que tinha ficado zureta e deixado a porta da geladeira aberta. Quando voltei do balezinho, quase dez da noite, tudo continuava morninho e molhado... Realizei que meus eletrodomésticos vão ficando com a minha cara com a convivência e, cheios de vontades, não avisam quando estão a fim de partir. 
Corro no mercado, compro gelo suficiente pro carregador achar que tô com a vida ganha e vou oferecer um churrasco em plena terça de maio e uma caixinha de isopor. Depois de longa função, meus perecíveis (mal) acomodados, procuro uma geladeira na internet enquanto desmonto o coque.
Achei rápido. Um monte de modelos. E agora, como eu, fã de listas de prós, contras e comparações, compro uma geladeira em 20 minutos pra, peloamordedeus, ir dormir porque o prof de microscopia não perdoa atraso na quarta de manhã?
Foi sofrido. Muito. Mas garantiu uma perna de São Paulo pra sabe lá onde vou inventar de ir. Pontinhos acumulados e minha cabeça no travesseiro, avaliava toda a situação... Eu era, naquele momento, a satisfeita dona de uma frost free... Isso parece algo nem digno de nota. Mas eu me lembrei da minha vida de 13 anos atrás, quando nada do que eu sabia vinha em socorro das novas tarefas cotidianas que se apresentavam pra mim e eu tinha que descongelar a geladeira por uma noite inteira pra ser limpa no dia seguinte. Pelo menos uma vez por mês. E como me irritava o fato de que nem todo equilíbrio do mundo dava conta de despejar a água da famigerada bandeja na pia. E a água acabava no chão... E eu de joelhos. 
E pensei que as coisas são construídas aos poucos. E porque aos poucos, são passíveis de serem saboreadas. Depois que pude contar com apoio da minha querida Cida (baiana com sotaque que me deixou esse mês pra cuidar do seu primeiro bebê), minha alegria era chegar em casa e ter o reino em ordem e com cheiro de cuidado. E pensar que eu não fiquei de joelhos, mas que a água ainda estava por ali... E isso me deixava, de certo modo, satisfeita. Por fim, quando me deixa a minha geladeirinha, presente da minha ex sogrinha mais querida, eu durmo serena sabendo que ela teve seu tempo e me ensinou tantas coisas. Mas que agora, é tempo de "subir na vida", como diria minha amiga.
E, assim, na sexta daquela semana, faltei com gosto às minhas aulas e fiquei arrumando minha geladeira e saboreando o momento. Até a hora de ir trabalhar, olhava aquele congelador, frio e sem gelo, e ouvia, confortada, o barulhinho bom do motor regulando um mundo sem água pra despejar em pia qualquer...
A felicidade da conquista é algo mesmo muito simples e só significa pra quem conquista. Uma geladeira frost free me fez feliz. E quando peguei essa Skol que eu nem gosto (o que fazia uma Skol na minha vida é outro capítulo), ouvi o barulhinho bom do "frost-free" e me lembrei de uma paciente que me disse ter sido o dia mais feliz da vida dela quando comeu biscoito recheado com guaraná.
E ter comprado essa geladeira e doado a antiga pro gentil lar de idosos me fez sentir que posso recostar e saborear minhas conquistas. 
Afinal, uma geladeira e um pacote de biscoitos são a mesma coisa, a grana não é o que conta a história. Ela se faz de sentido.

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