Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

terça-feira, 31 de março de 2015

Manifesto

Raras vezes me manifestei politicamente. É um processo no qual não acredito, esse da política partidária. Mas eu preciso me colocar a respeito da questão sindical na Prefeitura de Santos. Sou funcionária pública estatutária. Há 9 anos. Antes de estar aqui na Prefeitura de Santos, estive por pouco tempo na de Cubatão.
Existe um imposto que todos os trabalhadores são obrigados, pela lei federal, a recolher em favor da organização sindical. Nunca curti sindicatos, sempre sinto incômodo muito grande ao perceber que sindicatos, em sua maioria, têm um discurso de ódio característico das disputas entre direita e esquerda. Como eu não quero ódio na minha vida, e acredito que nossos papéis sociais se alternam sendo eu “patroa” e “empregada” ao mesmo tempo, fico longe dessa vibe. Em duas situações fiz parte de manifestações onde parte da organização coube a sindicato. Na primeira, me manifestei contra um reajuste salarial de 1,5% proposto pela Prefeitura e, na segunda, venho me manifestando a favor das 30 horas semanais de trabalho para psicólogos. Lutas nas quais acredito individualmente e que revertem para uma coletividade, construindo então o mundo que quero ver de pé. Independente da agenda de sindicato qualquer.
Porém, como disse, o “imposto sindical” é obrigatório por lei a todos que têm uma atividade remunerada. A lei ainda diz que você NÃO é obrigado a se filiar ou associar a qualquer sindicato a não ser que queira. E que você pode escolher recolher o imposto em favor de qualquer sindicato através da guia padrão emitida pelo governo. Essa diferença é importante: “imposto sindical” e “associação ou filiação sindical” são coisas diferentes.
Fico então obrigada ao governo federal no recolhimento de imposto sindical e posso escolher o sindicato favorecido (no meu caso, cumpro minha obrigação junto ao Sindicato dos Psicólogos de São Paulo). E fim da história. Só a União pode me questionar se paguei e me pedir comprovação. Nada me obriga a mostrar esse comprovante pra ninguém mais.
Pois muito bem, argumentei isso junto ao Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos que ganhou na Justiça o direito de ver o imposto sindical descontado em folha em seu favor. A única maneira de não ver 131 reais meus no bolso do SINDEST teria sido apresentar, no setor que cuida da folha de pagamento, o comprovante de ter recolhido o tal imposto em favor de outro sindicato. Noto que em 9 anos de serviço público, recolhi o imposto e nunca tive que apresentar comprovante algum; e nunca fui descontada em folha. Em 2015, recebi a orientação de apresentar o comprovante até dia 13 de março ou seria descontada. Fiquei indignada e não apresentei algo que não sou obrigada a apresentar (tal como aquela coisa de ter que deixar a bolsa em armário no supermercado, não sou obrigada a me separar dos meus pertences).
Ao perceber o desconto, entrei em contato com o tal sindicato e fui muitíssimo maltratada pelo seu diretor administrativo que, entre outras barbaridades e ferindo a Constituição, disse que o SINDEST me representa querendo eu ou não e que o reajuste que ELE ganhou na Campanha Salarial de 2015 me beneficia. Teria sido uma ameaça? Deveria eu então devolver o reajuste salarial pois exerci meu direito no que se refere ao imposto e me recuso a qualquer associação com o sindicato? Gravíssimo! Uma violência vinda de quem deveria me reconhecer como categoria e lutar por direitos de todos os trabalhadores.
O SINDEST não verá jamais um centavo do meu dinheiro. Foi a primeira e única vez que o golpe se concretizou. A cobrança pode ter sido fruto de ganho de causa na Justiça, mas não é menos acintosa por isso. O SINDEST não me representa e reforça minha posição de que a política traz uma vibe muito ruim e que eu estou melhor falando com minha própria boca e usando minhas próprias palavras.
Aviso aos meus queridos amigos que, neste mês, beberei menos cervejas com vocês e aos meus professores que não comprarei nenhum livro devido a esse desconto que pode ser legal mas é imoral. O SINDEST sabe que muitos servidores não estão atentos ou mesmo preferirão o desconto automático a enfrentar filas no setor da folha de pagamento para protocolar o comprovante que evitaria o desconto. Volto a dizer: exigir essa apresentação não é competência do empregador e nem do sindicato. Mas irei, em 2016, apresentar pois sei bem o valor de uma luta e escolho minhas batalhas. Prefiro chamar os colegas que estão filiados a este SINDEST a repensar sua opção. As benesses da associação (advogados mais baratos em ações contra a Prefeitura, planos de assistência à saúde), a meu ver, são pouco diante da postura autoritária e prepotente com que o sindicato me tratou e deve tratar muitos servidores.
Você, meu colega, quer ser representado dessa maneira?
Fique claro que não estou de modo algum sugerindo que se associem ao outro sindicato que poderia representar o servidor, o SINDSERV – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos, pois iria contra ao que postulei lá em cima no meu texto. É um disparate que tenhamos dois sindicatos em atividade, esse racha só contribui para nublar o debate.
Estou pedindo uma reflexão: você quer ser representado dessa maneira? Quer contribuir financeiramente para ter pessoas com esse nível de esclarecimento mostrado por este diretor que me atendeu representando seus interesses?
Será que não é melhor cumprir a obrigação do imposto e estar longe dessa lógica sindical que parece tratar o servidor como lixo?

Em tempo: recolhi apenas 80 reais para o SINPSI…

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