Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sábado, 21 de março de 2015

Bahia que não me sai do pensamento

Eu cometo loucuras. Quando eu não caibo em mim, eu saio por aí com uma mala grande e pesada, cheia de coisas pra deixar por aí ou trazer de volta de outro jeito. 
E se eu chegar na Bahia, naquele pedacinho de Bahia que me conhece bem... Sabe lá o que de fato voltará.
Desse dia estranhamente branco, eu trouxe tempestade. Só eu, entupida pela incerteza, chegaria numa Bahia debaixo de chuva. Numa Salvador em caos de vento. 
Enquanto a noite era tudo, ainda tinha um qualquer coisa de encantamento.
Quando o dia se fez, branco, molhado, deserto... dei conta das minhas roupas e cabelos. Dei conta de mim despida, a blusa perdida, deixada pra trás.
Ali em Stella, o mar irreconhecível, a boca surpresa já muito cantada por poeta qualquer, desenhava um grito, um suspiro, uma palavra.
Por fim, calou.
Era inútil.
Era só o tempo passando, com a régua dura, dizendo da dor do mundo todo.
Eu não lembrava mais o que tinha ido fazer naquela areia, que providência urgente ditava meu passo apressado.
Era algo que havia esquecido e precisava resgatar? Era uma pergunta? Uma ameça?
Era um tapa que precisava deixar na tua pele ou uma unha enterrada na tua carne com terror?
O que era mesmo que eu tinha que levar pra você da próxima vez que nos encontrássemos?
Eu acho que era um isqueiro. 
Um isqueiro ditava minha marcha precisa, ainda que areia, ainda que poça. Como ia viver eu com aquele isqueiro me pesando a bolsa, me desafiando a cada cigarro fumado?
Insolente!
Com esse isqueiro, eu não habito mais. Ele fica. Nem que seja na varanda, no carro. Lugar qualquer que não me importune. Que não me traga você de volta.
E hoje, muitos meses depois daquela chuva, andava distraída pela casa e avisto aquele isqueiro, rindo pra mim (ou de mim?), dizendo que inútil era mesmo aquela patética tentativa de apagar o que foi marcado a tinta na pele. 
A minha Bahia nunca foi mesmo elétrica no trio. Ela explode. Ela pulsa frenética, com raiva, com dor, pra amansar dentro do peito com a respiração mais longa de todas, aquela que faz encontrar o que vai por dentro na víscera, e que você arranca de mim só com o olhar.






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