um dia, minha amiga simone me disse: acho bem legal surfar, queria muito. eu que vinha saindo de uma história complicada com um "homem do mar" e tava sofrendo bastante, não podia nem sentir o cheiro da parafina que me dava vontade de chorar o mar inteiro.
mas ela me convenceu a, num dia muito chuvoso e até frio de inverno em santos, fazer a matrícula na escolinha pública de surfe da prefeitura.
no primeiro dia, a proposta era surfar na espuminha do posto 2 de bodyboard. daí, eu pensei cá com o zíper do short john: não é isso que eu quero. eu quero é ficar em pé! e pedi pra trocar de prancha.
uma prancha pesada e enorme parece ser a coisa mais difícil do mundo. mas logo se descobre que ela é o que dá certo.
e então, no primeiro dia de 9 pés, eu surfei a minha primeira espuminha... e depois disso, eu não fui mais a mesma. como toda coisa legal que a gente começa a conhecer, dá vontade de fazer sempre, mais e mais. assim são as paixões.
tive que aprender uma outra relação com o corpo, referência diferente daquela que eu tinha. os profs passavam a aula inteira gritando: dobra o joelhoooo!!! e eu bailarina aposentada, com cacoete inverso. mas o balé me ajudou a ficar de pé. equilibrada. a distribuir meu peso.
confesso que minha modalidade preferida é o surfe de madame: o prof vai te puxando e empurrando e você só rema o necessário. remar é difícil, às vezes parece que a gente tá enxugando gelo, e frustra demais saber que poderia ter ido naquela se tivesse dado conta da remada... igual como dançar, surfar tem a ver com certa técnica estabelecida que pode ser ensinada e aprendida. mas tem uma outra parada que só tem a ver com sentimento e sensação. e aí, é um processo bem pessoal.
é preciso se conectar com coisas bem suas pra poder concatenar a técnica com a execução e a estética da cena toda.
santos é uma praia diferente dessa que eu encontro em floripa. queria surfar em floripa. mas não me sentia preparada e muito menos com coragem pra enfrentar o mar "grosso e aberto". mas não podia ir embora dessa vez sem isso.
e lá na brava, que tá bem bom pra mim, o suficiente, caí com um prof no cantinho. não consegui pegar nem uma ondinha sozinha, mas surfei umas tantas com ajuda. tomei uns 3 sacodes ótimos pra acordar pra vida e mais um de brinde pra me surpreender com aqueles encontros improváveis.
as fotos foram feitas bem de longe, o que é até bom, não quero ficar prestando atenção nos defeitos, deixo isso pros meus profs perceberem.
fica esse céu azul mais lindo, de um domingo especial pra mim, em águas frias da minha terra raiz e uma sensação de ter conquistado alguma coisa na finaleira de 2014.
eu disse que ia terminar o ano como se deve sair da água: na onda, de pé!




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