Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Flores


Recebi flores. Eu cuido muito mal de plantas. Nada vinga na minha mão, nem a graminha que tentei cultivar pro Freud não viver engasgado em pelos vingou. Ainda muito bem que ele não gosta da tal grama, prefere alface, porque ele é realmente muito chique.
Eis que um dia eu chego em casa numa semana especialmente atribulada e encontro flores me esperando. Isso faz algumas semanas e desconfio que elas vieram com o objetivo de sanar um determinado mal estar vindo de um daqueles momentos que eu protagonizo como ninguém: choro, estresse, portas batendo e lamentações posteriores...
Eu não conheço flores, eu não cultivo flores. Mas eu as considero fundamentais. Com um cartão. De próprio punho. Acho elegante e singelo. E também por causa delas, andei pensando que me forcei a esquecer que sou romântica. Minhas porções mais masculinas (e eu tenho várias) podem causar certa confusão. MAs que eu não me engane mais: sou romântica.
Do amor romântico. Da tragédia. De paixão arrebatadora. Eu tinha esquecido disso porque nestes tempos temos tanto sexo que a vista fica meio nublada e acabei abrindo mão de coisas que sempre me foram caras. Escuto muito por aí que as meninas andam de saco cheio de caras que "grudam". Aqueles que gostam de fotos fofas, de namorar, de mimar, de mandar flores. Diz a generalização que as meninas não querem mais moços assim porque trabalham e se sustentam e fazem sexo sem compromisso. 
Eu me vejo confusa. Como se eu tivesse que escolher logo um lado de dois. Ou você é uma mulher moderna, autossuficiente e quase como consequência opta por relações não tradicionais, com um cunho mais sexual e termina suas noites bebendo com as amigas reclamando de homens em geral. Ou você é uma mulher que acredita em príncipes encantados, provedores.
E é interessante que os homens têm acompanhado esse movimento. Já ouvi de inúmeros amigos, inteligentes, não machistas e interessantíssimos que eu não vou achar um cara a fim de mais que sexo na noite. E eu me pergunto: que diabos é essa "noite"?
Mais confusão. Eu gosto da noite. É ali que me sinto bem. É ali no bar, bebendo, ouvindo o som que eu curto que eu faço meus encontros sociais. No ambulatório, eu trabalho. No balé, eu danço. No pilates, eu faço força, esgoto o corpo. No surfe, eu converso comigo mesma. No cuidado da minha prole, eu amo, educo, me responsabilizo. Nas tarefas cotidianas, eu fundamento meu conforto. Em família, eu me fortaleço.
Na noite, eu me relaciono, ué. Com os meus escolhidos amigos, com os homens que me interessam. E esses, dizem, são os que não mandam flores. Que não rabiscam uma letra de música pra você numa terça de manhã. Que não escutam tuas lamentações sem tentar resolver a tua vida. Que não sabem teu gosto de comidas e sapatos. E a confusão continua...
A questão é quase insolúvel pra mim. Mas eu não me engano mais. Eu sou romântica e não abro mão de um namorado. Do jeito que eu penso que deva ser um. Nada mais dessa coisa de acompanhar as mudanças da tal sociedade. Se eu achei uns caras assim antes, por que desistir deles agora?
E por que me render às faladas estratégias pra "conseguir um namorado"? Não dê na primeira vez. Não esteja disponível o tempo todo. Não procure o cara. Não seja independente dele. Não isso e não aquilo. Nessa altura do campeonato, eu já tenho os meus modos. De vestir, de pensar o mundo, de lidar com as situações.
Dá pra jogar o jogo. E confesso que acordo certos dias disposta a jogar. Mas no dia em que não tô a fim... Quero um pouco de verdade. Em palavras além de ações. Nesses dias... Acabo por me deparar com um mundo masculino misterioso pra mim ainda que os próprios moços se digam muito simples.
E me lembro de uma vez em que estava num processo seletivo de uma grande multinacional e uma recém advogada me perguntava: você, que fez psicologia, me fala por favor o que eles querem! A moça estava sofrida pois era inteligente, capaz e nunca conseguia o trabalho. Eu também não consegui. Mas hoje me conforta saber o motivo. Não dela, o meu. Eu não servia praquilo. Mas mais importante: aquilo, apesar de maravilhoso, não servia pra mim.
Acho que o caso é semelhante. Moços que estão do lado de cá ou do lado de lá... Não servem pra mim. Eu não sirvo pra eles. Porque de manhã, eu sou uma e de tarde, ninguém. De noite, sou outra pra acordar a primeira. E tem um moço em lugar qualquer que também é assim... Aí, serve.


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