Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

cinema

um pouco cansada dos dissabores e desenganos da rua, decidi entrar em casa na sexta passada e ali permanecer até domingo. e resolvi ainda que meu fim de semana seria cinéfilo. lá fui eu pra locadora (sim, eu ainda vou na locadora, não baixo filmes e minha banda larga é a mais lenta que tem... tô ficando velha...), aos 45 do segundo e peguei o que primeiro vi, sem procurar muito.
primeiro, daniel craig pulou no meu colo, lindo, british, bond. gente, eu gosto do sean connery. mas o daniel... não aguento o bond dele sem suspirar. ele junta tudo que os outros tinham aos pedaços e fica irresistível. porque ele tem um componente de vulnerabilidade que os outros (atores, filmes, roteiros, diretores) não davam muita importância. ele sente dor e ele é sério e ele é cru. e sofre. e eu... suspiro. skyfall me agradou muito. depois desse daniel, o outro, o day-lewis, o último dos moicanos. e também inglês. lincoln é escuro, denso e tenso. e daniel é maravilhoso com sotaque de qualquer lugar. o filme conta só um pedacinho da história do lincoln na política dos estados unidos, mas tem uma cena que vale uma madrugada de cerveja. em tal momento a discussão é: aprova ou não aprova a emenda que acaba com a escravidão. e lá um congressista diz que é um absurdo pois o próximo passo é reconhecer então direitos dos negros, principalmente o voto. a plenária se indigna. e o congressista completa dizendo que aí será preciso ainda reconhecer o direito de voto das mulheres. aí, sim, o estardalhaço. incrível. os negros até que dava pra engolir, mas as mulheres!!! não!!! jamais!!! fiquei pensando muito nisso. não sou feminista, nem um pouco. mas não vejo como sinal de cavalheirismo uma conta não dividida no bar. acho que equivalência é importante e bom senso, essencial. mas tá difícil ainda hoje ser mulher. vou ter que concordar com o povo do barulho que já encheu o saco essa coisa de ganhar menos, de não ser tratada com respeito pelas escolhas sexuais, de ser subestimada em qualquer assunto "masculino". encheu o saco. vou ter que abordar esse assunto mais vezes lá na frente...
depois, veio a arte. eu vi duas histórias suculentas. a primeira, de amor e sexo entre chanel e stravinsky. adoro essa época, as 3 primeiras décadas do século passado. e chanel é apaixonante, olhou igor e disse: eu desejo. e viveu o desejo. sim, ele era casado, mas isso não era problema dela. uma mulher dessas que irrita a turma machista e que, na verdade, a turma feminista do barulho não entende. a certa altura, stravinsky vigoroso como a dinâmica da sua obra (o piano nos dedos dele era instrumento de percussão e as batidas mais que dedos nas teclas), diz pra coco: você não é uma artista. ah, ela não deixa por menos e o manda embora, da cama dela, do coração, da história que ele pensava ser o dono. aplaudi. a segunda história, uma delicadeza. a história singela de li cunxin, bailarino chinês que fez a vida nos estados unidos. chorei até segunda. balé é balé, e fim. sair de casa sendo chamado de sexto filho, tão impessoal como uma fruta na barraca da feira, e interpretar quixote no susto é uma história que vale a pena ser contada. e vista e dançada. adoro cinema com cenas de dança.
e sabe o que mais? sair de casa pra me aborrecer? tenho certeza que fiquei mais feliz, preenchida, inteligente aqui na minha casinha com o freudinho e as histórias dessa vida do que se tivesse saído pra uma reprise mal feita e mal contada de um clássico de 2012. e tenho dito.

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