Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

pirar até ficar sóbria

tem uns momentos da minha vida que são all about the flavor and the pleasure. tanto já escrevi sobre os limites e os mecanismos de vício, prazeres fáceis e difíceis. e tem conversa que não acaba mais quando os temas são esses. 
depois dos 30 anos de idade, eu me testei sem ficar de olho na nota. por 3 décadas, meus testes eram sempre desafios pra ser a melhor e a nota 10 era obrigatória, esperada, e a dor era imensa se não fosse alcançada, a nota. nos últimos anos, eu me lancei num outro tipo de prova. a prova, o teste, o experimento pela experimentação em si. experimentar tem sido uma odisseia. cada coisa que eu fico a fim de fazer e resolvo EXPERIMENTAR vale pelo processo em si. frequentemente, descubro que aquela coisa não tem a ver comigo, ou tem e eu não sei fazer direito, ou uma vez foi um tesão e foi suficiente. 
não persigo mais uma ideia (ou ideal) de eternidade: "sabe, eu fiz balé a viiiiiiiida inteira...". porque isso era cansativo e exasperante. ser a mesma pessoa todo os dias, sem me desviar por nem um minuto do que postulei ser. e quando aquilo não mais servia, nada podia tomar o lugar (afinal, não seria eu mesma) e uma preguiça imensa de viver me invadia. 
e, com preguiça, só restava um vício qualquer pra sustentar, proporcionando um prazerzinho fácil e efêmero. e aí estava uma questão interessante: essa escolha que vinha da prostração, da preguiça, da não-vontade me satisfazia mas ao mesmo tempo deprimia demais, tal como a rebordosa do pó. não era então a coisa em si, o sexo, a comida, a nicotina, o álcool; era o jeito como essa coisa acontecia. vinha fácil, ia fácil, deixava culpa.
eu pirei demais com tudo isso desde que era estudante de psicologia e, em 2012, eu pirei até ficar sóbria. e pra ficar sóbria eu precisei passar dos limites dos prazeres fáceis, viciada em certo tipo de êxtase, até entender algumas de minhas escolhas ao ponto de elas fazerem sentido pra mim. e só pra mim. sem esperar notas, sem dar continuidade, sem justificar os parâmetros. 
e, um dia, depois de jogar tudo pro alto pra ver como as coisas iam aterrissar, eu vivia com tudo que queria, literalmente de bandeja...





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