Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

lágrimas do sol

por um acaso, estou de frente para o filme "lágrimas do sol". tipo de filme que eu evito. a guerra. dessa vez, as lágrimas são na nigéria. creio que tirando todos os exageros, monica belucci linda de um tudo, bruce willis duro de matar, um pelotão de homens de aço fuzileiros americanos, e toda aquele heroísmo blockbuster, o que se vê em meio à chuva, a mata, os tiros, é o sangue que de fato escorre pela áfrica. 
eu quis muito fazer algo. eu preenchi um formulário de 6 folhas. eu tentei convencer os médicos sem fronteiras que eu poderia fazer algo. não pela áfrica, não contra a guerra, mas pela vida que restasse. eu não fui julgada qualificada o suficiente e não acredito que aguentaria o tranco. mas eu iria mesmo assim. talvez eu fique até aliviada de ter recebido um não que me manteve num lugar bem mais seguro e menos dramático. mas eu acabo me vendo em meio à miséria todos os dias. uma miséria mais esterelizada, se é que é possível, menos desesperada. mas miséria. miséria de alma, de coração, de corpo doente, de mente paralisada. 
e isso me emociona. isso me faz tão humana que dói. 
e, assim humana, penso de novo na guerra. e todos os tratados das ciências humanas e biológicas disseram (e dizem) tudo que precisa ser dito. mas esse filme, por mais óbvio que seja, tá me dizendo na noite de quarta-feira, sem pretensão: menina, pense em ser justa, bela e boa, porque precisamos um pouco mais disso tudo nesse chão e nesse céu. e seja paciente, generosa, tolerante. e procure saber e sabedoria. e saiba discernir o momento de insistir do momento doloroso da desistência. caminhe firme e decidida, mas pare de tempos em tempos para avaliar o ritmo da passada. e, menina, não tente encontrar o preto e o branco porque caminhamos num mundo de cinza e esteja muito atenta aos ventos de mudança. não fique tão endurecida que perca a noção de respeito ao tempo do outro mas não amoleça a ponto de admitir a violação daquilo que é limite intransponível. não permita guerra. não aceite a guerra. não seja móvel e motivo para guerra. toda guerra pode ser explicada. nenhuma guerra pode ser justificada.

2 comentários:

Maria Valeria disse...

belo texto...saudades amiga...beijo

Andréa Kowalski disse...

Obrigada, Dona Lelé!!! Dezembro está aí e devemos nos encontrar por obra da Rê!!! Beijo!