Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

saindo de cena

e os acontecimentos não param de me apresentar desafios. e a voz da kátia me passando um pito por fugir das situações fica ecoando no fundão do meu lobo... não sei qual o lobo que deve resgatar essa intervenção. mas enfim. hoje, eu venho de um revés são josefense, a ponta de baixo que já me foi tão gratificante esteve cinza, chuvosa, fria e até meio deprimida com suas casas de portas e janelas fechadas e carros passando impessoais pela avenida principal. eu tô triste e desiludida. mas não há nada a fazer. participei de uma história em que não há personagens por assim dizer. eu achava que estava de coadjuvante em uma história pequena e despretensiosa que seguiria sem grandes reviravoltas e com cenas enxutas. que nada. eu fui objeto de cena de uma história que se desenrola dramática e tumultuada muito antes de eu chegar pra fazer parte de um pedacinho do cenário. pedacinho esse que, de tão pequeno, ficou num canto da cena e, por ser minúsculo, acabou chutado pra coxia pelos pés 46 que tinham me carregado há pouco tempo atrás. mas isso se deve, sem sombra de dúvida, ao personagem principal, poderoso, sedutor, magnético. não há competição possível com aquilo que é por definição viciante e dominador de toda a vontade. não há escolha possível quando se conhece o prazer imediato da droga mais poderosa. que te leva pra longe de tudo que você é de fato pra te mostrar aquilo que você sonha em ser o tempo todo. e como é bom o rush de se sentir inteiro e invencível. de experimentar o máximo do poder e do prazer. e o que eu do alto de meu metro e meio posso oferecer pra esse embate? eu não tenho chance alguma de ganhar desse prazer imediato e que ocupa todos os espaços de uma só vez. tanto tesão, poder, liberdade, beleza, força de uma vez só. por 5 minutos. e toda a dor da realidade pequena esgarçada na frente dos olhos incrédulos e arrependidos. que já procuram pela explicação, pela justificativa, por novos motivos que levem à pseudo decisão por mais uma dose. e eu posso com isso tudo? não, assisto decepcionada o desenrolar da trama, me retirando aos poucos e escapando pela porta lateral dos fundos do teatro...

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