você percebe que ficou um pouco mais velha quando, ao entrar de férias, tem uma festa no primeiro dia de folga. aí, você fica com um moço na festa e, além das cervejinhas e do churrasquinho, seu corpo tem que lidar com toda aquela adrenalina da primeira vez. aí, empolgadinha de tudo, você se prepara pra viajar 5 dias e resolve colocar na mala uma tatuagem nova que vai levar 10 dias pra cicatrizar. nos 5 dias que você passa longe, você anda por joinville como louca, pega a baladinha todos os dias com garrafa de vodca rachada entre amigas, garoa na cabeça e frio do capeta, a adrenalina continua a mil pois os moços do passado estão mais vivos do que nunca, além do moço novo que sobreviveu ao domingo anterior na lembrança.
findo o festival pra você, a volta pra casa transcorre tranquila, mas a faxineira que devia tornar sua casa habitável depois de um julho conturbado e 5 dias fora te liga avisando que não pode ir. imediatamente, você lembra que dia seguinte chega sua amiga do interior e que você deve colocar o mínimo de ordem no barraco. então, depois de 8 horas de viagem de ônibus, você dá uma dormida entre uma lavada e outra de roupa e uma tentativa de varrer o chão e um moço volta pra cidade querendo te ver e matar a saudade. você, com um olho no horário da terapia e outro no olho convidativo do moço, toma um banho rapidinho e julga que está pronta pra tudo.
o moço vem, o moço vai, você conta as desventuras no divã e vai dormir porque chega.
chega? ledo engano.
quinta é dia de amiga chegando, chaveiro fazendo orçamento, persianas sendo penduradas por um diligente prestador de serviço que não perdeu um detalhe das duas primeiras semanas das minhas férias. narradas as peripécias mais recentes, a amiga sai pra almoçar e você presa em casa por uma porta que não tranca descobre que o moço do churrasco teve um incidente no percurso e por um acaso está a 3 quadras da sua casa. você abandona o bom senso e acha que esperar o chaveiro conversando com o moço não vai fazer mal algum já que sua amiga vai fazer a unha e só volta às 6 da tarde.
e você conversa e conversa e começa a achar que está em campo minado com o moço novo. pra se sentir mais segura e equilibrada você pega a amiga e vai pro bar da esquina pra beber uma cervejinha tranquila e sem compromisso inclusive com moço que nunca sai da sua vida porque amizades se fortalecem depois que terminam os beijos na boca.
só que a cervejinha sem compromisso fica enorme e o moço tá com saudade e você está de férias se sentindo soltinha, sem hora e nem razão. a amiga já se engajou faz tempo numa outra conversa com outro moço e já não volta com você nessa noite.
madrugada, você volta pra casa, mais uma cerveja, mais um cigarro, e tudo é tão familiar e conhecido e delicado que você vai. e indo percebe que já são 6 da manhã e tem tanta coisa pra fazer.
o moço vai, volta a amiga, você faz almoço, pega edredom na lavanderia, faz uns tendus e uns ronds pra desestressar. mas santos é cidade atacada por ventos soprando de noroeste que parecem levantar tudo pelo caminho e te tirar o ar que sutenta tudo. e você, muitos parágrafos depois, começa a cair. e tudo dói e tudo te abandona, e lá vai uma caixa de lenço e toda a sua paciência.
e você entende finalmente que envelheceu um pouquinho, o suficiente pra entender que você já não sai mais impune de 12 dias de pegada. jamais.


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