Mesmo que os 50 mil manos sejam tantos e tão diferentes, cores diversas, magros, pequenos, quase frágeis e tão precisos de mãos e pernas; 2 metros de braços abertos, todos músculos, em quase raiva; maiores que a cena.
Eles são todos o mesmo. E isso dá o que pensar. Por que os 50 mil manos sempre voltam?
E mais: por que eles têm sempre lugar na minha história que não é mais a mesma de 14 anos atrás?
Porque essa dança é como vício antigo que já não causa mais crise de abstinência, mas que não se dissipa jamais, porque, na real e de verdade, o rush é impagável. Insubstituível. Você não sai procurando por mais uma dose, mas quando ela está posta ali na tua frente, tão disponível, tão disposta, você não diz não, nem sim. Fica simplesmente em misto de contemplação e surpresa e reconhecimento daquilo que um dia experimentou e que faz parte de você.
Irremediavelmente.


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