Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A força dos 50 mil manos

Tem umas histórias que continuam acontecendo mesmo que a vida já tenha descartado a época e que o corpo não seja mais a fim de encarar o tranco; e mesmo que a alma esteja investida de outros rumos e que o coração esteja cheio (ou vazio) de outros sentimentos, a mente tenha outras lógicas; a lembrança viva do que aconteceu 3 vidas atrás permanece forte e ritmada.
Mesmo que os 50 mil manos sejam tantos e tão diferentes, cores diversas, magros, pequenos, quase frágeis e tão precisos de mãos e pernas; 2 metros de braços abertos, todos músculos, em quase raiva; maiores que a cena.
Eles são todos o mesmo. E isso dá o que pensar. Por que os 50 mil manos sempre voltam?
E mais: por que eles têm sempre lugar na minha história que não é mais a mesma de 14 anos atrás?
Porque essa dança é como vício antigo que já não causa mais crise de abstinência, mas que não se dissipa jamais, porque, na real e de verdade, o rush é impagável. Insubstituível. Você não sai procurando por mais uma dose, mas quando ela está posta ali na tua frente, tão disponível, tão disposta, você não diz não, nem sim. Fica simplesmente em misto de contemplação e surpresa e reconhecimento daquilo que um dia experimentou e que faz parte de você.
Irremediavelmente.

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