eu tava assistindo a novela das 7 da globo. por quê? porque eu decidi que minha primeira semana de princesa foi pesada, desgastante e merecia uma pizza. fui na pizzaria do povão ali no canal 4 comer um rodízio (com polenta e batata frita também) e beber um chopp (3, na real). meu corpo não aceita mais orgia gastronômica nem velocidade máxima ao comer. e observei a novela.
o texto é ruim mas dá pra ver que o autor tenta ser educativo, "ensinar o povão". eu, que sou povão, mas não engulo de tudo, achei uma discussão sobre preconceito racial meio artificial. depois, pensei que tava bão. a mensagem era "preto casa com branca tem filho pardo que todo mundo aprende a amar."
tá bom pra correria automática que a gente vive aqui no mundo em desenvolvimento. mas ali embaixo se dizia: "tudo dá certo quando tem grana na família e a família é de novela. todo mundo é bonito, magro e de cabelo liso." clichê? pá caralho! mas é o que a gente se permite quando quer descansar de discutir o sexo dos anjos e os problemas do mundo.
a interpretação dos atores tem 5 expressões básicas e estanques. não se misturam jamais. pra você saber EXATAMENTE o que sentir no sofá da sua casa quando vir a cena. aí, dá saudade da safadeza implícita do hugh laurie na pele do house. da arrogância impaciente de uma sandra oh na pele da cristina yang. da submissão surpresa de um paulo autran envergando o bigodinho do aparício varela (e esse era na novela das 7, hein?).
porque não se tem mais um paulo autran, a tv aberta sumiu da minha vida. as produções da tv que são bem legais acontecem quase de madrugada, num horário que não concorda com os processos a despachar e as reuniões de TODO dia, o DIA INTEIRO.
Fevereiro
Há 17 anos


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