O sol não toma nenhum conhecimento do que nós estamos fazendo embaixo dele. Quando dá sua hora, ele pega a bolsa e parte. Aí, a gente que suspeita de uma certa pequenez diante do universo, fica meio introspectivo e reflexivo quando ele se vai. Ele nem liga que estamos admirando qualquer movimento dele, que tem uma galera que resolve aplaudir o tal do "espetáculo da natureza" (confesso, sinto uma vergonha alheia dessa coisa de aplaudir o pôr do sol). Ele não liga.
Quando chegamos em Paris, naquele comecinho de maio de 2014, primavera, ainda era dia. O sol tinha sido atração principal em Londres e continuava firme na França.
Eu pensei que não queria desperdiçar o fim do dia (meu momento preferido de qualquer dia, aliás) e saí andando pra coisa mais perto que tinha no mapa. Uma coisinha turística, né?
Era ela, a Basílica do Sagrado Coração. Os emigrantes senegaleses me acompanharam ao longo do caminho que cumpri rápido pois sabia que o bairro ali nas imediações da Gare du Nord ia ficar esquisito quando estivesse escuro.
Subi por uma escada lateral à Basílica que deve ter me tirado metade de um pulmão fumante e quando avistei a galera... Pensei imediatamente que aquele ali era o lugar perfeito pra fumar um cigarro, refletir sobre a vida e de repente fazer a linha "Gratidão" e até fechar os olhos junto com a despedida do sol.
E essa foi a primeira vez que eu chorei em Paris...


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