Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

terça-feira, 2 de junho de 2015

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junho chegou frio e enlouquecido. eu quero tanto escrever, mas me assalta um misto de cansaço com outras prioridades e já deixei passar uns cinco temas importantes (ou não). embora estejamos conectados o tempo todo, eu descobri que digitar é só em tecla real mesmo pra mim e o touchscreen não me ganhou. queria um stephen hawking gadget que transformasse meus pensamentos em palavras no papel sem passar pela fala. eu iria pensando pelas ruas e um papel teria tudo registrado.
de qualquer forma, tal qual o dança de rua, estamos aqui novamente preparados para prosseguir. junho é mês de provas e fim de semestre e eu tenho algumas considerações pra fazer a respeito da faculdade. acabou o que chamávamos na UFSC de primeira fase, na minha época. foi bem menos doída e doida. foi concentrada, serena e muito, muito cansativa. não teve cerveja além daquela necessária no fim do dia. não teve madrugada virada. não teve tempo (e talvez nem interesse) pra olhar pras pessoas da faculdade.
fiz algumas ponderações. a mais assustadora, em certa medida, foi entender que a maioria dos meus colegas têm idade pra serem meus filhos!!!! quando caiu essa ficha, uma série de confusões se iniciou pra mim. só mais um pouquinho, e recebi na minha vida de novo, dois estagiários. nunca disse tantas vezes em tão pouco tempo a expressão "na minha época"; pra logo emendar duas observações mentais: 1 - "minha época" nesse contexto se refere ao século passado quando fiz minha outra graduação e 2 - perplexa, realizo que nunca me senti tão "in the moment" como agora transformando a tal da "minha época" num presente contundente.
como é que se envelhece? talvez até agora, só tenha feito aniversários. e, a partir desse ano de 2015, comecei também a envelhecer. eu sempre gostei da palavra e da ideia de envelhecer. embora fisicamente não tenha tido bons exemplos de envelhecimento em geral, eu sempre senti grande prazer em partilhar a idade avançada quando possível. tive 3 avós. o avô paterno não esteve comigo e nem bisavô algum. já fico feliz de ter partilhado um outro tempo (fascinante) com eles. como toda boa romântica, sempre me transportei pro passado qualquer que quisessem me levar.
eu já nasci velha e bem rabugenta. e o antigo sempre falou mais comigo do que o moderno. ou o contemporâneo. esteticamente falando.
mas aí, pensando em mim, a confusão se estabelece. eu preciso a todo momento avisar às pessoas que farei 40 anos em breve pois meu estilo jeans, camiseta lisa, nenhuma bijuteria ou maquiagem, coturno, exatamente como vestia aos 16 anos, não ajuda a audiência a se localizar. e nem a mim.
por isso tenho me perguntado como envelhecer. será que tem que mudar o estilo ou a postura? será que tem que ficar cansada ou estressada? tem que ficar infeliz? não tinha sentido necessidade alguma de pensar sobre isso em função do que me trazem as pessoas que me cercam até agora.
mas, de repente, me vi numa série de situações em que escolhi coisas aparentemente contraditórias pra viver esse momento pré 40. me cerquei de pós adolescentes e abracei uma empreitada fisicamente desgastante com essa graduação nova. abandonei um breve período estilístico em que me fantasiei de mulher mais pelo momento profissional que vivia do que por uma vontade de mudança. por outro lado, serenei em casa, concentrada em virar minha energia para cuidar do lar. fiz (e faço) questão das minhas reações apaixonadas, imponderadas e imaturas nos temas profissionais e filosóficos que me movem. como uma jovem senhora, passei a me preocupar com o corpo e tudo que mantém a casa. nunca estive tão pouco envolvida em exercitar a arte dos encontros (sexuais ou não).
a verdade é que não tô me entendendo... não amadureço, não floresço, não envelheço, não desisto.
e tudo isso.
e nada disso.
e vamos estudar química que tem prova na sexta e vamos abrir a agenda pois tem obra pra fazer em casa.

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