Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Tive dengue e abandonei o meu xampu

E então era dengue... Eu passei 15 anos escapando da dengue. Desde que Santos se tornou parte da minha vida, mosquitos listradinhos sobrevoam a minha vida e eu, que sempre fui destino preferido de mosquitinhos desde as noites quentes de Jurerê, escapei deles todos... Nunca "peguei dengue". Ou pelo menos, nunca um vírus que colocasse meu corpo inoperante.
Pois logo que terminou a minha semana de provas (uma semana de teste pessoal também), eu caí. Estava preparada pra fazer muitas tantas coisas no feriado que viria. Planejar, festejar as notas legais, socializar com os amiguinhos mais velhos, cuidar da minha casa, brincar com meus filhotes, escrever, e tudo mais que desse tempo. E não conseguia me mexer.
Cada vez que pisava no chão pra ir pro banheiro ou comer alguma coisa, parecia que minhas sincondroses (ah, biomedicina querida me ensinando a falar bonito...) estavam pegando fogo... Foram 3 dias de febre e o corpo pesando cada vez mais. A experiência não é tranquila, longe disso, mas eu não tive problemas pra comer... Pensei em alguns momentos que poderiam ter perdido enfim os 5 quilos que me incomodam há muito tempo... Mas não rolou.
E então estou de licença. E nessa licença eu só fiquei de cama e pensei muito. Não estudei, não trabalhei, praticamente não conversei com ninguém. Mas pesquisei bastante sobre uma questão que tem me movido demais nos últimos tempos... Ainda não consigo falar longamente sobre isso pois eu levo muuuiiito tempo pra marinar as ideias e organizar os argumentos, mas eu tenho pensado eticamente no que significa coabitar esse planeta com outros seres vivos e parece que algo começa a se inquietar dentro de mim. 
Começo a ler sobre outros hábitos de vida e algumas coisas começam a fazer sentido. Olho pros meus filhotes, penso nas peças anatômicas onde tenho estudado, tento perceber melhor o sabor do que estou comendo, penso no caminho que fizeram até mim as roupas que estou vestindo e decido conhecer um pouco as informações disponíveis. Fiquei muito surpresa em descobrir que uma galera ativista tem discussões interessantíssimas e se dedicam a me contar através de seus blogues que do lado das marcas que eu uso existem outras que não usam animais em seus testes. Que não é tão difícil começar. Que o mundo tem opções melhores pra se conduzir.
Eu usei um rato de laboratório. Ele chamava JP. Ele foi morto por alguém depois de me servir sem ter escolha. Eu não pensei nisso na época. Eu não questionei. Eu não precisava do JP pra aprender o que aprendi naquela aula. Não é necessário reproduzir o experimento de Skinner ou Pavlov pra um psicólogo saber do que falavam. Somos muito capazes e inteligentes pra substituir práticas cruéis por outras construtivas. E se não estamos enxergando isso é porque estamos nos afastando do justo, do belo e do bom.
Tem chão ainda pra eu caminhar... Mas eu abandonei o meu xampu. 

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