eu tô com um pouco de preguiça dessa copa. foi tanta confusão que eu fiquei com preguiça de escrever e escrever o que penso sobre cada uma das questões que envolvem a copa do mundo de 2014 realizada no brasil. mas ainda assim, eu vou pontuar, talvez todo dia se tiver assunto, porque eu não consigo não opinar...
- não vi a abertura. preciso assistir. mas sei de antemão, pelos comentários facebookianos dos amigos do meio, que a coreógrafa contratada é belga. e eu me pergunto: por quê??? não tem bailarino, coreógrafo, produtor, iluminador nessa casa? pois eu digo que tem. gente de todo tipo, com todo tipo de proposta e pesquisa, todo tipo de entendimento do corpo que dança e representa. eu conheço uma galeeeeeera. boa. de verdade. penso que o espetáculo de abertura de um evento esportivo de caráter mundial deve apresentar um recorte daquilo que faz com que o país (e no caso de eventos regionais, a cidade, o estado) sede seja quem é. algo de cultura local, de costumes, hábitos de vestir, personagens e passagens históricas relevantes. apresentar algo autoral com linguagens mais herméticas cabe em outros espaços. não sei como foi a proposta. mas foi uma proposta europeia. não acho legal.
- homens emocionados é algo bem mais legal de se observar do que homens apaixonados. um homem apaixonado fica desconcertado, não sabe se conduzir, peca pelo excesso ou pela falta de iniciativas. é como se estivesse andando com sapato apertado e mal pode esperar pra aliviar o dedinho esmagado. agora... as lágrimas contidas que não escorrem dos olhos do thiago silva antes do hino foram simples, eloquentes e sofisticadas. claro, houve outras lágrimas. os homens choraram na frente dos trilhões de pessoas do mundo ao som do hino. música mexe com as pessoas e o hino nacional dá uma apertada no peito de muita gente. mas aquele olho marejado e aquele homem emocionado revelavam um momento tão íntimo que era possível enxergar a alma do moço. vendo essa cena, mudei minha prioridade: que um moço se emocione por mim. pode até se apaixonar, mas quero antes um homem emocionado por mim do que um apaixonado. o homem emocionado é firme, bonito, na medida certa.
- a arquibancada não caiu. ainda bem. quero ver as pessoas todas inteiras. em segurança. sabe, há um mês atrás eu estava em outras paragens e um taxista senegalês me perguntou: você iria assistir uma copa num país em guerra? defendia ele: eu acabei de viajar com minha família. fui pra uma cidade que não tem guerra e não corremos riscos. eu fiquei pensando. o cara veio do senegal que, em certa medida, deve ser terra de ninguém e não viria para a copa no brasil. depois que o ônibus do méxico não pegou aqui em santos e houve a tal controversa tentativa de assalto ao técnico da seleção bósnia no guarujá, penso que o problema não são essas intercorrências. tragédia, merda, catástrofe, violência tem em todo lugar. talvez o que diferencie as situações e, em última análise, defina o resultado final seja a capacidade de considerar a possibilidade disso tudo acontecer e, mais importante, o profissionalismo em se definir possíveis soluções para um contratempo. somos amadores. só temos o plano A, concebido às pressas. e, se tudo der errado... bem... dará. e é por isso que eu achava que a copa não deveria ser aqui...
- e, por fim, por hoje, meninos... tirem essas camisas e me façam feliz com barrigas bonitas de atletas. as tatuagens podiam ser de melhor gosto (pro meu, né?), mas, sim. tirem essas camisas. e não cuspam tanto no campo. os meninos do futsal e do basquete não podem fazê-lo pois a quadra torna isso impossível, por que então vocês o fazem?


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