Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

domingo, 29 de junho de 2014

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tava botando reparo na minha vida e pensando com os meus botões que toda vez que viajo, faço uma visita ou recebo alguém na minha casa, sinto uma certa melancolia ao lavar roupas. sim! ao lavar roupas.
cada peça da mala desfeita ou usada pela pessoa querida traz um cheiro e uma lembrança.
meu nariz me tomba a vida inteira de saudade. eu sinto um cheiro e toda a cena me vem com uma clareza brutal. repito sempre uma máxima clichê que diz que se você está deprimido, está vivendo no passado. sem problemas pra mim, pois sempre me soube mais deprimida do que ansiosa, se essas forem as duas opções classificatórias em questão. sou bem saudosista e trago muitos lugares e pessoas do passado pro meu presente, o que nem sempre se revela a melhor estratégia. mas também me dá momentos bem valiosos.
de qualquer maneira, demorei pra lavar a roupa do feriado que acaba de passar e só reparei hoje que priorizei um monte de tarefas e só consegui me dedicar a essa hoje, uma semana depois. acho que me coração estava doendo. mas eu não quis parar pra lamber a ferida e nem mesmo avaliar a extensão da lesão. deixei ali.
lavar essas roupas, trocar o cheiro do acontecimento pelo cheiro da limpeza é como limpar o salão depois da festa. quando tudo está em ordem, limpo, sem manchas, mal se adivinha tudo que se precipitou naquela ocasião. e eu me sinto um pouco vazia com a festa acabada, a relação finda e o coração supostamente esterilizado, pronto pra próxima intervenção. e me perguntando na verdade se não ficou nada esquecido em canto qualquer que vá me trair daqui a duas semanas.
porque lavar essas roupas também é dizer que se está pronto pra seguir. é como desapegar do encontro e colocar em uma gaveta do passado que não há possibilidade de ser aberta a não ser que um cheiro venha trazer pra esse exato minuto aquilo que passou.
como a moeda que acha christopher reeve no bolso do colete e o leva de volta ao presente quando tudo que ele queria era ficar pra sempre no passado. iludido pela felicidade de algo que passou e não pode ser no presente.
máquina cheia, cheiro de sabão na casa, investigação minuciosa, e não sobrou nada teu. agora, é lamber a ferida, curar o coração e, no presente, estar em paz. ou não? ou não.

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