e hoje eu tenho certeza de uma coisa que eu desconfiava: a primeira vez nao eh a melhor. vou ter que falar disso com uma chateaçao: o teclado eh italiano e eu nao vou procurar configuraçoes agora pra acentuar direitinho os pensamentos.
mas o que queria dizer eh que, ao conhecer (ou reconhecer) uma pessoa ou uma situaçao ou um lugar, o primeiro dia, a primeira vez nunca serao o melhor momento daquela historia. eu to rodando fora de casa ha 20 dias quase. tal como nos momentos dos festivais de anos atras, a mala foi engordando e pesando nas costas. as roupas foram ficando sujas e chatas. os dias passaram com um ritmo totalmente diferente da casa. senti saudade da minha cama e do meu banheiro. do meu freud. chorei porque me apertava o peito quando fechava os olhos e quase sentia uma lambidinha carinhosa.
eu tinha muitos encontros pra experimentar nesse tempo. e vem daih minha certeza. as pessoas precisam se adaptar umas as outras. precisam se cheirar, se observar como bem acontece com os bichos. um novo lugar te convida a entender pra que lado seguem as ruas e o que significa uma curva ou uma reta naquele mapa.
uma situaçao te exige uma postura que na maioria das vezes voce ainda nao construiu.
hoje, um pouco antes de começar minha via muito tortuosa por 5 aeroportos, penso que tanta coisa podia ter sido diferente, mas penso que foi justinho o que precisava ser. porem, sao necessarios 3 dias. 3 dias pra que as pessoas comecem a se gostar, os beijos ficarem sinceros, as conversas serem despidas, as fragilidades nao sejam escondidas, e os carinhos surjam de repente.
sao 3 dias. 3 dias de paris, 3 de londres e 3 de sardenha. soh 3. e percebo hoje que aquele quarto dia onde tudo cai nos seus lugares ficou faltando. mas como o passado sempre volta no sabio ensinamento da minha zilah, estarei surpreendida pela volta que virah. assim que a vida estiver pronta, ela vai me sugerir o contrapasso e eu, que sou bailarina menos rebelde hoje do que jah fui, vou aceitar agradecida...
Fevereiro
Há 17 anos


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