inspirada pelas mulheres dos anos 1960 de clarice, abri as janelas e decidi me entregar às lides domésticas e lavar roupas, trocar lençóis e toalhas, guardar louças. ou loiças. retomar a leitura de clarice me levou de volta a reflexões a respeito do cotidiano e todo aquele significado que ele encerra. aquelas mulheres meio prisioneiras do tempo e loucamente fora de si nos seus íntimos. e clarice é tão elegante, perspicaz e contundente que me pego sorrindo ao deslizar pelas palavras dela no ônibus, na sala de espera de um lugar qualquer. o sol foi firme e altivo hoje desde cedo e me dizia que estava tudo bem. que é permitido pisar os pés na areia e observar as ondas de pessoas indo e vindo sem ter necessariamente um objetivo na manhã de domingo. que é permitido marcar um encontro comigo e até conversar em voz alta no apartamento morno de maio. que não faz mal nenhum se ocupar dos objetos simples donos dos seus imutáveis lugares. que o desejo de delícias pode ser atendido e o doce pode me fazer feliz. que só hoje, nesse domingo, posso escrever exatamente o que tenho vontade de contar. que amanhã o dia todo pode ter outro ritmo. que o fim da tarde anuncia lua minguante e toda satisfação de um mundinho organizado e limpo, por vezes, não tem nada de superficial.
2 comentários:
Tu que escreveu isto ou ela? Se tu fosse ela, escreverias assim, se tu fosse tu escreverias assim tb, se eu fosse eu, pensaria assim tb!!! bjsss
fui eu que escrevi! tava relendo laços de família. e me inspirei de mil coisas... essa mulher é foda!!!
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