no seu movimento tímido e discreto, coisas mudam de lugar. mas nada de novo. os podres do reino da dinamarca ainda estão cheirando mal. e esperamos num delírio de febre pelo novo.
posso terminar minha sexta-feira numa madrugada de surpresa, mas nada de novo ali. aí, passo o domingo me perguntando por qual motivo escondido a mesma história terminaria diferente. foi um olhar. na real, foi a observação sobre o olhar. ele me disse: não gosto de uma coisa em você... você não olha nos olhos quando fala. eu respondo, mais esperta que a raposa, que não quero que ele descubra o que realmente estou sentindo. e não era mesmo esperteza. era medo puro. de ser desvendada nos primeiros 5 minutos e não ter nada mais pra dizer nas 5 horas seguintes. mas as horas aconteceram e naquele momento em que tudo são flashes ele estava olhando pra mim. dentro dos olhos. e me descobrindo inteira mas sem realmente entender o que estava vendo.
e eu tive vergonha. vergonha do que estava dizendo. dizendo as coisas que me esforço o tempo inteiro pra esconder. ele não sabe o que viu. mas eu sei o que disse.
e ele seguiu com aquela expressão assustada, aquela impressão de que tudo aquilo não poderia estar acontecendo. desacreditado de me ver ali tão despida. seguiu com aquela convicção de que com essa mulher é melhor não mexer.
mas quem então vai mexer comigo?


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