Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tanta coisa em 50 minutos



Eu tinha esse vídeo guardado pra assistir há muito tempo. Aproveitando a "sexta-feira santa", resolvi assistir. E sou obrigada a compartilhar. Sei que o Drauzio Varella é um médico que fala na TV. Eu não assisto TV aberta. Não vejo o Drauzio Varella. Mas estou satisfeita por esse programa "Sempre um papo" estar guardado aqui e cair no meu colo justo hoje, num feriado religioso, pra eu assistir. E, nesses 50 minutos, a fala do Drauzio veio instigar que algumas coisas que venho pensando nos últimos dias sejam colocadas aqui. Diz ele que a função do médico é aliviar o sofrimento humano. Nas minhas andanças pelo universo da saúde (pública), tenho entendido assim o papel do profissional. E sempre entendi, mas há anos atrás, imatura e menos articulada do que hoje, não defendi essa posição frente a um suposto colega que dizia: "você fez uma faculdade de letras". Durante muitos anos, com raiva, não engoli aquilo, pois a afirmação foi feita diante da minha insistência em achar que o processo de psicoterapia devia ser coberto pelo plano de saúde, já que o psicólogo é um profissional de saúde. E o colega me dá esse tapa na cara. Hoje, não preciso engolir a inverdade. A função de TODO profissional de saúde é aliviar o sofrimento humano, seja de onde ele vier. Como psicóloga, já vivi a morte de usuários do serviço que não encontraram tempo suficiente para lidar com a doença da vez. Por uma vez, atendi um homem pouco antes de ele morrer. Quase todos os dias, vejo um indivíduo sofrer e chorar. Não é uma tragédia, não. Falando assim, parece página de livro barato. É a realidade do cotidiano de um monte de gente que não é médico e originalmente nem pensava em andar de branco, nem ser chamado de doutor. Psicólogos, assistentes sociais, acompanhantes terapêuticos, agentes administrativos e auxiliares de limpeza que são, SIM, profissionais de saúde. Quando o Drauzio fala de aliviar sofrimento e promover saúde, ele me redime daquela situação que me deixou sem palavras há anos atrás. E legitima o nosso fazer diário, de acolhimento, de escuta, de dar a notícia ruim, de falar a verdade sem dourar a pílula (seja lá o que isso quer dizer). Dizia pros meus estagiários agoniados com a pergunta: "mas como é que eu vou dizer pra alguém que ela tem um vírus que causa uma doença incurável?": com palavras. Todas as palavras: não tem cura, não tem vacina, você vai ficar doente muitas vezes. Assim mesmo. E, ainda assim, conseguir aliviar o sofrimento do outro. E aí está a faculdade de letras. Todas as letras, de branco, para aliviar o sofrimento humano. Não fui médica pela preguiça e total indisciplina. Mas não poderia fazer outra coisa se não essa que hoje faço: saúde.
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Quem assitir ao vídeo todo, presta atenção no Drauzio falando do ateísmo dele. Penso desse jeitinho e não acho que deveríamos ter o feriado que ora desfrutamos... Por que só os católicos têm direito de não trabalhar nos dias santos do calendário DELES? E os nossos judeus? E os nossos muçulmanos? E nossos ubamdistas? São obrigados a trabalhar nos dias que não deveriam e estão em casa em uma data que nada lhes diz... Absurdo e vergonha desse nosso estado dito laico...
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E um recado, ainda do Drauzio, pra muito político: ele não quis ser ministro da saúde porque não experiência de administração pública. Viram? EXPERIÊNCIA. ADMINISTRAÇÃO. Que os gestores aprendam a gerir... Que o serviço público funcione como espresa que busca lucro, eficiente e competente. Se tivermos lucro, não teremos feito dinheiro; teremos feito sociedade justa, organizada e satisfeita.

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