Minhas loucuras passadas

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Falo muito, sou pequena. Reclamo horrores e sou briguenta. Pinto o cabelo de tempos em tempos. Me visto de acordo com meu humor, sou gulosa demais. Gosto de ser casal e ser amiga. Adoro escrever de tudo, cartas e histórias. Amo as artes todas, inclusive aquelas que não consigo fazer. Sou a favor das diferenças, sempre. Olhos castanhos, unhas pequenas. Tímida demais pro meu gosto.

quarta-feira, 5 de março de 2014

espontaneidade

eu sou preguiçosa e nada disciplinada. aí, de tempos em tempos, eu tenho uma loucura recuperadora que dura 17 segundos. como assisti ao oscar no domingo já achei (por 17 segundos) que eu tinha que assistir todos os filmes perdidos durante minha vida inteira, incluindo os clássicos. disso só resultou uma ida ao cinema pra ver american hustle. achei ótimo, tudo muito ótimo.
mas eu fiquei, como sempre, com uma fala na cabeça. que, como sempre, me fez pensar em... tudo! ela disse: you are nothing to me until you are everything.
aquela cena me deixou dividida e confusa e querendo ter dito isso pra alguém e querendo (muito mais) resistir a dizer isso pra alguém em breve...
essa coisa de a gente saber exatamente o que quer custa mais caro do que as próprias sessões de terapia que te dão essa condição. claro que a estratégia da moça deu certo no filme. o cara percebeu que ela, além de ruiva, linda, inteligente, boa de cama, era o perfeito. as pessoas costumam dizer que o perfeito não existe. mas existe sim, ele existe naquele intervalo de tempo que pode durar uma vida, uma hora ou uma noite. onde tudo funciona como... bem, como algo que funciona. e ponto. e pronto. e geralmente são nessas situações que um ultimato desse resolve a questão.
a questão é que encontrar "o que funciona" sem esforço demais, sem planejamento demais, sem perguntas demais e, principalmente, sem estratégia demais é raro. talvez eu esteja assim calculista demais, mas algo me diz que tá muito difícil não ser assim quando cada vez mais os encontros sexuais e/ou afetivos acontecem como negócios.
o tanto que preciso esperar pra ligar, o quanto preciso esperar pra responder uma mensagem, quantas vezes devo ser eu a dizer que tenho saudades. tudo isso não é espontâneo. e já faz tempo que não. e isso me exaspera. porque cada dia mais eu quero dizer "you are nothing to me until you are everything" assim que me sentir assim, mas tenho certeza que sempre acaba com a outra parte dizendo: ok, then... i'm nothing...
e fica você de novo ali, confusa e arrependida de saber exatamente o que quer e ter sido tão verdadeira...

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