Estive no Teatro Municipal, num espetáculo do Dança de Rua. Mudaram as cadeiras e o carpete da platéia, já não era sem tempo. Mas o que me chamou a atenção foi o tamanho da platéia. O número de lugares não mudou, mas como parecia pequena a platéia do Municipal.
Todo mundo conhece a sensação de voltar a um lugar da infância e descobrir que o tal lugar não é tão grande quanto parecia. A mágica do encolhimento de um aeroporto daquela viagem, de uma sala de cinema da cidade visitada chama "crescer". Inevitavelmente, crescemos. Alguns (como eu) bem pouco, outros não passam nas portas padrão. Mas crescemos.
Nada de novo até aqui. Sabe o que me espanta? Não conheci o Municipal na minha infância, já era mulher feita de 1 metro e meio quando entrei a primeira vez na platéia. E ela era enorme, e barulhenta, e tensa. Era pulsante. Era do tamanho do meu sonho. Imensa.
E, hoje, pequenina, o burburinho só incomoda, como no ônibus lotado. Nem intensidade. Pequena.
O fato é que eu era uma criança ansiosa, querendo sentir todas as coisas ao mesmo tempo, tentando me agarrar a um momento efêmero (como todos são), como se a minha vida acontecesse no palco. Mas, metáfora clichê, a luz sempre acende.
E eu, ainda surpresa, descubro duas coisas. A platéia encolheu porque cresci, porque a criança estava chata, exigente e imatura e não dava mais conviver com ela. E hoje, só hoje, me permiti voltar a essa criança ansiosa e chorar porque não tenho mais o rush da platéia do Municipal.


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